Cronistas do Diário: Cruzeiro irreal, por Orlando Fonseca - Cultura e Lazer - Diário

Versão mobile

Opinião17/01/2017 | 06h54Atualizada em 17/01/2017 | 06h54

Cronistas do Diário: Cruzeiro irreal, por Orlando Fonseca

Cronistas do Diário: Cruzeiro irreal, por Orlando Fonseca Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Talvez o presidente Temer, motivado pela sua estada em território rio-grandense, tenha sido traído pelo inconsciente, ao nomear a moeda nacional de ¿cruzeiro¿. Pois o caso é o seguinte: a última vez em que o dinheiro brasileiro recebeu este nome, acrescido de um adjetivo – muito necessário naqueles tempos bicudos - ¿real¿, foi em 1994. Uma das notas que chegou a circular por breve tempo, trazia a efígie de um símbolo famoso no Estado, com cenas características da história e da nossa cultura. A gafe do presidente não é uma mera coincidência, pois o que temos visto em seu ¿programa¿ de governo é carregado de elementos do passado – alguns até mais remotos.

 A nota de 5 mil cruzeiros reais estampava a figura de um gaúcho, junto às imagens das ruínas da igreja de São Miguel das Missões. Os ícones no verso da cédula representavam um laçador e seus acessórios típicos da lide campeira, como o relho, a boleadeira e as esporas. Como tudo o mais, teve vida curta naquele mandato-tampão do Itamar, o do topete, ocupante da cadeira do Planalto após o impeachment de Collor, o caçador de marajás – o qual teve o seu dia de caça. Este aí, inclusive, havia recuperado o Cruzeiro, mas fez toda aquela conhecida lambança na economia, em que limitar os saques de poupança foi o mínimo.

Leia mais textos dos cronistas do Diário 

 Tudo bem, a cena e o valor da nota (que já fora de 5 milhões, quando era apenas cruzeiro, em poucos anos anteriores), não representam mais o Rio Grande do Sul em sua conjuntura atual (vide protestos contra os desmandos de Sartori) até numa nota de Real. Isso não foge muito do que se vê no resto do país (sim, do que tem sobrado nele depois da entrega do patrimônio público, de mão beijada, ao capital internacional). A dignidade daquela estampa, e memória ancestral de uma das origens do Estado, estão muito acima das condições de penúria e de desmonte na atual gestão. O próprio presidente não tem muito a oferecer para mudar o quadro, falando em termos de Real. Tropeçou na língua e caiu no cruzeiro irreal.

 Além do mais, por se tratar de uma cerimônia de entrega de ambulâncias, o presidente pode ter cometido um ato falho. Freud explicaria – embora o pai da psicanálise tenha mais o que fazer. Se ele não explica, explico eu. Não podendo falar do futuro, já que estão congeladas por 20 anos as verbas para a área de saúde - a partir de um projeto do seu governo – o passado veio com força em seu discurso. Negócio seguinte, rapaz: segura o real, te organiza Temer, mas faz como diz a canção do Gilberto Gil: ¿te orienta pela constelação do cruzeiro do sul¿.

 
 

Siga Diário SM no Twitter

  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMAsena filia 21 atletas à Confederação Brasileira de Canoagem https://t.co/k4IIAPC9s2 https://t.co/EVtMbfCYQuhá 14 horas Retweet
  • diariosm

    diariosm

    DiárioSM81 vagas de empregos e estágios para quinta-feira https://t.co/4pR91snJ2S https://t.co/nQznnii1ZOhá 15 horas Retweet

Veja também

Diário de Santa Maria
Busca
clicRBS
Nova busca - outros