Cronistas do Diário: "Contra o fascismo, o diálogo", por Marcelo Canellas - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião28/01/2017 | 08h13Atualizada em 28/01/2017 | 13h09

Cronistas do Diário: "Contra o fascismo, o diálogo", por Marcelo Canellas

Nada apavora mais um fascita do que o diálogo. Reajamos

Cronistas do Diário: "Contra o fascismo, o diálogo", por Marcelo Canellas Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

O que faz com que uma pessoa deseje a morte de alguém que mal conhece? Uma divergência política justifica um linchamento moral com base em xingamentos e impropérios?

A doença da ex-primeira dama, Marisa Letícia, internada em um hospital de São Paulo por causa de um Acidente Vascular Cerebral, motivou uma avalanche de ofensas e imprecações de mau agouro contra ela. Por que? Apenas porque Marisa é mulher de Lula.

Não vou reproduzir nenhuma dessas ofensas para não emporcalhar minha crônica. Mas o episódio é especialmente estarrecedor por causa do surgimento de um novo tipo de agressor.

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Até pouco tempo atrás, a internet era o território preferido dos covardes que, com o salvo conduto do anonimato, escondiam-se por trás da máscara dos perfis falsos para desfiar violentos ataques. Esse tipo de gente desprezível continua agindo, claro. Mas um novo ator social apareceu: o sujeito que perdeu a vergonha de verbalizar seu ódio de cara limpa, expressando uma suposta ¿posição política¿ justificadora de seus ataques.

Sempre achei que essas figuras deveriam ser simplesmente ignoradas. Mas confesso que mudei de ideia. É cada vez mais urgente posicionar-se contra essa categoria obtusa de polemista que bebe na vertente do fascismo. O fascista elege um ponto de vista fixo baseado em seus preconceitos, e tudo aquilo que diverge dessa visão preestabelecida deve ser eliminado pelo uso da força e da violência. Como a política se define pela experiência da linguagem, os xingamentos e os impropérios têm uma função de recusa à existência do outro.

Qualquer um que seja diferente deve ser eliminado. É o ódio a qualquer tipo de interlocução. Pois bem, a filósofa Marcia Tiburí, num livro que recomendo a meus leitores (Como Conversar com um Fascista), propõe justamente o diálogo como ato de resistência. Nada apavora mais um fascista do que a necessidade de argumentar e de confrontar ideias.

 O fascista se alimenta de preconceitos, ele não suporta a reflexão, a análise, o juízo crítico. Está desaparelhado para o cotejo, para o confronto de argumentos. Suas armas são as da força e as da ignorância. Para que sobreviva, é preciso que seja intolerante e que use o expediente da repressão às diferenças. O outro vira ¿inimigo¿. Se não sou da turma dele, devo ser eliminado. É o que sugerem fazer com dona Marisa. Mas nada apavora mais um fascista do que a possibilidade do diálogo.

 Fora do xingamento, o fascista não tem o que dizer, e o silêncio o apavora. Por isso, o antídoto a esse comportamento autoritário não pode ser o nosso silêncio. Reajamos. Ou vamos virar um país cheio de ódio e inviável ao entendimento.

 
 

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