Nos prostíbulos não existem virgens  - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião19/12/2016 | 15h30Atualizada em 19/12/2016 | 15h30

Nos prostíbulos não existem virgens 

Hugo Antonio Fontana

hugofontanap@yahoo.com.br

Dona Léia era uma velha amiga, tão boa quanto franca. Mesmo respeitando muito as putas, costumava dizer que "assim como nos puteiros não existem virgens, nos meios políticos não costumavam existir honestos". Com essa lógica, parece jogar a defesa do senhor Marcelo Odebrecht, até pouco tempo o mais cultuado empresário brasileiro. Entre R$ 50 mil e R$ 7 milhões eram distribuídos a senadores e deputados que aprovassem emendas, leis ou projetos de interesse da empresa, segundo o delator Cláudio Melo Filho, ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht. As delações têm atingido não apenas o coração do atual governo como também políticos de todos os partidos. Pode ser apenas uma estratégia para que se amontoem tantos processos no Supremo, que, por exemplo, acabem se esgotando prazos para condenações importantes.

Ao mesmo tempo, não é mais apenas a chamada oposição que fala em fim do governo Temer. Em caso de renúncia, caberia ao Congresso eleger (indiretamente) um(a) novo(a) presidente. Essa é a aposta que está na mesa. Desde a presidente do Supremo Carmen Lucia até o sempre lembrado Fernando Henrique são indicações para essa possibilidade. Pouca gente questiona o fundamental: qual a legitimidade desses congressistas para nos colocar goela abaixo um(a) presidente?

Enquanto tudo isso suportamos, morre dom Paulo Evaristo Arns, extraordinário brasileiro defensor dos direitos humanos. Vale lembrar. No Concílio Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII, em 1959, foram a Roma mais de 3 mil bispos de todo o mundo. Lá, discutiram o futuro da Igreja Católica que havia se afastado do mundo. Entre eles, dom Paulo, um jovem de 40 anos. Junto com outras quatro dezenas de bispos, firmou aquilo que ficou conhecido como "Pacto das Catacumbas", no qual se comprometiam de viver como pessoas comuns, sem pompas nem riquezas. Foi o que fez esse brasileiro na sua vida toda.

Caso ainda vivo, ao saber da frase de dona Léia, era bem capaz de, com um sorriso, acrescentar: "Com o perdão das nossas irmãs que exercem a profissão mais antiga, sua amiga tinha razão ".

 
 

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