Cronistas do Diário: Porque a vida não basta, por Hugo Fontana - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião12/12/2016 | 11h11Atualizada em 12/12/2016 | 11h11

Cronistas do Diário: Porque a vida não basta, por Hugo Fontana

Cronistas do Diário: Porque a vida não basta, por Hugo Fontana Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS
Hugo Antonio Fontana

hugofontanap@yahoo.com.br

As pessoas têm que ser propositivas. Chega de contemplação. O mundo precisa de ação. De novas ideias. De pragmatismo. É o que ouço com frequência. Essa é uma gravidez de alto risco: a auricular. De tanto ouvirmos algo, acabamos ficando "grávidos". Inclusive de besteiras.

Não existe nada mais propositivo do que o conteúdo das redes sociais, via de regra, um besteirol de cabo a rabo.

"Ah! Mas tem coisas que precisam ser ditas com todas as letras! Não tem como, por exemplo, um jornalista ir num bairro pobre, cheio de problemas, e ficar dissertando sobre a crescente concentração de renda. Ele tem que falar nos buracos das ruas, na falta de saneamento, de luz, de posto de saúde, de moradia digna". É o que me fala uma amiga empresária, como se diz, "bem-sucedida". Respondo que concordo. Em parte. "Como em parte?" Rebate-me. Digo-lhe (claro, sem nenhum êxito) que o fato do jornalista relatar os problemas e as agruras dos moradores pode não excluir uma análise sua, mais aprofundada, sobre a origem daquele cenário dantesco. "Dantesco. Kkk, só tu mesmo".

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Enquanto minha amiga empresária se afasta com seu sorriso de rede social, fico pensando numa frase do nosso maior poeta dos tempos modernos, Ferreira Gullar. "A arte existe porque a vida só não basta".

Políticos, empresários, funcionários públicos e privados corruptos, assassinatos travestidos de tragédias fazem parte da nossa vida de brasileiros. Como lidar com isso? A "verdade dos fatos" elucida alguma coisa? 

Qualquer profissional, qualquer pessoa, quando exclui a arte da sua vida, até poderá ser "bem-sucedido" e longevo. Será lembrado, talvez, muito mais por seu obeso currículo e desempenho numérico do que propriamente por algo que tenha modificado para valer na sua vida. Saberá apenas de Ferreira Gullar que ele foi comunista quando jovem. Não sentirá nada ao ler: "Uma parte de mim é todo mundo; outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Outra parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão".

 
 

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