Cronistas do Diário: "Não digam que não avisei", por Jumaida Rosito - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião16/12/2016 | 07h08Atualizada em 16/12/2016 | 09h48

Cronistas do Diário: "Não digam que não avisei", por Jumaida Rosito

Cronistas do Diário: "Não digam que não avisei", por Jumaida Rosito Arte DSM/
Foto: Arte DSM

Como botânica e encarregada deste espaço nas sextas-feiras, tenho uma oportunidade rara de sensibilizar pessoas sobre as mágicas vegetais que ninguém vê; não o faço mais por bom senso – não é um assunto pop. Mas, hoje, vou me esbaldar! Perdoem-me por não citar fontes, mas há pouco espaço; se tiverem curiosidade, escrevam, terei o maior prazer em orientá-los.

Posso começar com a frase de um controverso professor universitário: "O Homo sapiens (nós) parece ser a sede exclusiva da sapiência, que já foi incluída no próprio nome de nossa espécie"! Nada modesto de nossa parte, não é verdade? Segundo ele, as raízes que procuram o escuro e a umidade do solo, os caracóis que usam suas antenas como detectores de obstáculos, ou as representações humanas que projetamos a nossa frente são recursos semelhantes e válidos para se obter o necessário à vida evitando perigos. Cada um a sua maneira.

Outra boa sacada? "Não salta, não brinca, não corre, nem faz festinha para o dono (...). Como alguém pode gostar de algo tão inerte", indaga um dos nossos botânicos brasileiros, à guisa de puxão de orelhas pelo nosso desdém por plantas. Não se pode mesmo esperar que uma espécie tão autocentrada como a nossa possa levar a sério criaturas tão diferentes. Mas não é difícil compreender que elas lidam com os mesmos desafios que os animais, as mesmas pressões ambientais, e que, muitas vezes, podem chegar a soluções semelhantes. Pesquisas relativamente recentes parecem demonstrar que as plantas têm linguagem, memória, cognição e capacidade de fazer escolhas! É bem verdade que não falam, mas podem se comunicar através de compostos orgânicos voláteis, por exemplo; espalhados pelo ar, eles são percebidos por outros ramos de uma mesma planta, por pés vizinhos da mesma espécie ou por outras a seu lado. E o que dizem? "Perigo à vista!"; em resumo, eles podem coordenar as defesas das plantas (e as de seus parentes) contra vorazes herbívoros, tornando suas folhas mais resistentes. Engenhoso.

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Que elas colocam os animais a seu serviço nas questões reprodutivas (descaradamente), nós já sabemos; por isso, seu cheiro, formas bizarras e cores atraentes. Mas e o que dizer de uma certa espécie vegetal que "vicia" formigas com seu néctar, fazendo delas sua tropa de defesa? Ainda é pouco? Estudiosos afirmam que plantas reconhecem membros de sua família e competem menos por água e espaço com elas. E pelo que tenho lido, meus amigos, algumas plantas parasitas têm uma espécie de olfato, que usam para diferenciar o trigo dos tomates, seus favoritos! As plantas parecem capazes de ler pelo menos 20 parâmetros diferentes do ambiente e integrar toda essa informação para responder a seus desafios. Como diz um pesquisador brasileiro, "se a inteligência é a capacidade de se reconhecer como indivíduo e de tomar as melhores decisões (...), então as plantas são inteligentes". Voilà! Eu avisei.

 

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