Cronistas do Diário: "Lugar comum", por Orlando Fonseca - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião06/12/2016 | 09h09Atualizada em 06/12/2016 | 09h09

Cronistas do Diário: "Lugar comum", por Orlando Fonseca

Cronistas do Diário: "Lugar comum", por Orlando Fonseca Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Diante de certas fatalidades, só nos ocorrem os lugares comuns. Há uma semana, a mídia tem-nos colocado diante de uma cena trágica que não deixa espaço à realidade que nos cerca. O mundo continua a girar: negócios são feitos, negociatas armadas, acordos fechados, tratados desfeitos, mas o texto dos noticiários repete palavras como triste, tragédia, emoção, luto, lamento, lágrimas. Confrontados com nosso destino, somos pouco inventivos, e só nos socorrem mesmo palavras que nos igualam – em português ou em espanhol – para que possamos nos confortar com o perigo de ainda estar vivos, de chorar pelos mortos e ter de fortalecer, em nossas fraquezas, os mais fracos. A vida segue, ainda que sejam imperativas as pausas para o lugar comum.

Nesses últimos dias, deste ano que não acaba, muitas vezes nos fizemos a pergunta sobre o porquê de tanta comoção. Para alguns, o esporte, e em especial o futebol, é capaz de mobilizar o imaginário geral. Se não com os fatos do cotidiano de jogos, jogadas, partidas e chegadas, negociações e escândalos, com uma repentina mudança de pauta sobre a queda de um avião com os jogadores de um mesmo time. E membros de sua diretoria, e profissionais da informação e a tripulação. Por se tratar de um clube do interior do Brasil, que subiu das divisões inferiores à elite do futebol; que está na final de um campeonato continental, seria notícia de qualquer modo. Quanto mais a intempestiva parada de sua trajetória em elevação, em meio aos destroços da aeronave que também destroçou sonhos e vidas na sua queda, em um morro na Colômbia.

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A mim, parece que uma tragédia dessas proporções comove porque se trata de jovens – também pensei assim quando do incêndio da boate Kiss. Vendo as selfies daqueles garotos dentro do avião que os levaria para a morte, os sorrisos pela expectativa do jogo heroico, e quem sabe o triunfo, tão felizes em sua juventude e vigor, me convenço de que a roda da fortuna girou no sentido contrário. Não deveriam ser os que já lutaram o bom combate, que já venceram a deixar o palco, a pista, o gramado, a vida? Mas não: o destino tem suas próprias leis, os deuses do esporte, seu próprio regulamento, e só dói porque estamos aqui, sobreviventes, tentando nos consolar uns aos outros.

Nesta semana, em que começam os eventos natalinos, que deveriam em suas luzes, cores e canções embalar a nossa porção infantil de fantasia, só o que me ocorre para preencher o espaço da crônica é o lugar comum. Em tempos de fraternidade alegre, o que nos irmana é a solidariedade do pranto.  

 
 

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