Cronistas do Diário: "Ecos da batalha de Cuito Cuanavale", por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

Versão mobile

Opinião01/12/2016 | 06h55Atualizada em 01/12/2016 | 06h55

Cronistas do Diário: "Ecos da batalha de Cuito Cuanavale", por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: "Ecos da batalha de Cuito Cuanavale", por Vitor Biasoli Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

Entre as mensagens de condolências enviadas a Cuba, devido à morte de Fidel Castro, chamou atenção a do presidente da África do Sul. Segundo o noticiário da TV brasileira, a mensagem sul-africana se referiu aos profundos laços de amizade entre os dois países. A referência do noticiário foi breve, mas o suficiente para lembrar que as lideranças sul-africanas não esquecem o papel de Fidel Castro no desmantelamento do apartheid, que os ecos da batalha de Cuito Cuanavale ainda estão presentes no imaginário sul-africano.

E, de fato, no último dia 27 (segundo do sítio ¿Prensa Latina¿), o presidente sul-africano, Jacob Zuma, recordou, em detalhes, as relações entre os dois países numa longa entrevista televisiva. Entre outras coisas, lembrou a batalha de Cuito Cuanavale e o papel que Fidel desempenhou nesse combate contra as forças militares do então governo racista da África do Sul.

Resumidamente, uma história que pode ser assim contada: em 1987, as tropas sul-africanas voltaram a atacar Angola, com apoio norte-americano, e o governo angolano solicitou apoio militar cubano. Fidel Castro, com auxílio soviético, enviou seus melhores soldados, tanques e aviões, e as operações centralizaram-se em torno da localidade de Cuito Cuanavale. O exército sul-africano foi derrotado, em março de 1988, recuando rapidamente para a Namíbia e, depois, para atrás das suas fronteiras.

Leia mais textos dos cronistas do Diário 

Vencido no campo militar, o governo sul-africano foi para a mesa de negociações e cedeu quanto as suas pretensões político-militares na África Austral. A partir daí, ocorreu a independência da Namíbia (submetida à África do Sul) e o início do fim do apartheid. Nelson Mandela foi libertado e passou a exercer importante papel político na desconstrução do regime racista.

Segundo Mandela, o fim do apartheid não teria acontecido se o ¿internacionalismo cubano¿, liderado por Fidel Castro, não se tivesse feito presente em Angola. Em 1991, quando foi agradecer pessoalmente a Fidel, Mandela declarou: ¿A esmagadora derrota do exército racista em Cuito Cuanavale constituiu uma vitória para toda a África¿, reconhecendo que o destino da nação sul-africana foi delineado nessa batalha. Reconhecimento que os atuais dirigentes sul-africanos – libertos do apartheid – continuam afirmando. 

 
 

Siga Diário SM no Twitter

  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMSuspeito de integrar movimento neonazista é preso em Cruz Alta https://t.co/HlPiwvvtk9 https://t.co/EtWLEXWtgEhá 13 horas Retweet
  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMEstudantes começam a desocupar prédios da UFSM https://t.co/fHTMnU4nv0 https://t.co/uC8MlLQBGhhá 13 horas Retweet

Veja também

Diário de Santa Maria
Busca
clicRBS
Nova busca - outros