Cronistas do Diário: "Comodato", por Diomar Konrad - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião07/12/2016 | 11h55Atualizada em 07/12/2016 | 11h55

Cronistas do Diário: "Comodato", por Diomar Konrad

Cronistas do Diário: "Comodato", por Diomar Konrad Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS


Há muito tempo, insisto no seguinte refrão: o pior não é gostar, o pior é acostumar. E tenho ouvido com frequência de muitos casais que, devido ao tempo de relação, já não vale mais a pena se separar. O comodato, que é a cessão de uso por um determinado tempo, acaba se transformando em acomodato, situação em que a pessoa prefere manter as coisas como estão, não se importando mais com os incômodos (que, no caso, seria um incomodato), procurando tirar vantagens da situação.

No sistema de comodato, a pessoa, mais cedo ou mais tarde, acaba refletindo sobre a sua situação e pensa sobre a possibilidade de romper o contrato. O próximo passo consiste em pensar se vai querer ficar um tempo sozinha ou se é daquelas que não suportam a solidão consigo mesma. Caso decida trocar de relação, é conveniente que termine a primeira antes de iniciar a procura pela segunda. Sim, porque ninguém, em sã consciência e no mais extremo da carência suportaria que o seu ex ficasse em casa diante de tal situação, nem mesmo diante da possibilidade do seu intento fracassar. É muito masoquismo.

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Terminado o contrato e sem resquícios, parte-se para a nova aventura. Esta é uma situação delicada, tal qual o motorista que não dirige há anos e precisa renovar a carteira. Vai exigir algumas aulas teóricas e práticas para voltar ao mercado da paquera, visto estar totalmente desatualizado. Este período de adaptação e alcance dos resultados pode demorar meses ou anos, pois há uma carência de pessoas dispostas a encarar relações com esse tipo de sobrevivente. Não é tão somente discriminação, mas a certeza de que pessoas que ficaram muito tempo encarcerados vêm com um kit de vícios nada fáceis de suportar.

Talvez seja por isso que os comodatos, incomodatos e acomodatos tendem a vencer a batalha, pois, para romper com uma situação que nos é cômoda em muitos sentidos (até ganhos temos, em certa medida), é preciso se aventurar rumo ao desconhecido. Assim, o pior mesmo não é gostar, é se acostumar com a situação.  

 
 

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