Cronistas do Diário: "A pior idade", por Diomar Konrad - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião14/12/2016 | 11h33Atualizada em 14/12/2016 | 11h33

Cronistas do Diário: "A pior idade", por Diomar Konrad

Cronistas do Diário: "A pior idade", por Diomar Konrad Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Somente loucos, insanos ou pessoas que gostam de sofrer podem apoiar a reforma da Previdência proposta por aqueles que chamei aqui, anteriormente, de Red – Aposentados e Perigosos, a cúpula do governo que já está aposentada e que preparou um duro golpe para os demais.

Olha só: para se aposentar com o valor integral da aposentadoria, somente a partir dos 65 anos e com teto máximo em torno de R$ 5 mil, o cidadão terá que ter contribuído com, no mínimo, 49 anos. Ou seja, terá que começar a contribuir a partir dos 16 anos, quando ainda é jovem aprendiz.

Veja bem. Falei em teto máximo de R$ 5 mil. Mas quantos realmente poderão se aposentar com esse valor, que já acho baixo diante da realidade brasileira? Uma minoria. A grande maioria irá ter rendimentos que variam de um a dois salários mínimos, menos que R$ 2 mil. E o que se fará com isso? Se comprar comida, não sobrará para os remédios; se optar pelos remédios, talvez não tenha onde morar ou como pagar contas de água e luz, que dirá outros confortos.

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Por isso, na prática, não haverá aposentadoria. Os idosos, aposentados ou não, terão que arrumar empregos precários ou viver da mendicância ou favor de parentes. Serão, como disse Cazuza, os maiores abandonados. Não duvido que não surjam programas de adoção para a terceira idade, pois não haverá instituições de longa permanência para todos.

Por isso, o eufemismo da ¿melhor idade¿ será transformado em ¿pior idade¿, na qual as pessoas se perguntarão: então foi para isto que trabalhei a vida inteira? Confiei em um sistema que me garantia a aposentadoria e agora estou de mãos abanando? Cadê todo o dinheiro que contribuí? Onde foi parar a segurança que eu tinha de que valia a pena fazer tudo certinho para receber depois?

Diante de tudo isso, creio que o melhor mesmo é não contribuir para a Previdência. Deveria haver uma lei que deixasse de tornar obrigatório o desconto. Assim, pelo menos, o trabalhador poderia escolher o que fazer com esse dinheiro. Entregar para este governo não é uma contribuição, é uma doação e fundo perdido.  


 

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