Cronistas do Diário: "Todos os santos", por Orlando Fonseca  - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião01/11/2016 | 06h58Atualizada em 01/11/2016 | 06h58

Cronistas do Diário: "Todos os santos", por Orlando Fonseca 

Cronistas do Diário: "Todos os santos", por Orlando Fonseca  Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Para o senso comum, não há santo na política. Embora, durante as campanhas, os candidatos se esforcem em distribuir santinhos, a verdade é que o fazer político foi sendo desacreditado no Brasil. Ou pior, demonizado por diversos fatores nos últimos anos. Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno, mas a falta de crédito – em valores não monetários, claro – não é coisa boa para o sustento da democracia.

Também não é nada bom misturar religião com política. Somos um Estado laico, como prevê a nossa Constituição – coitada, tantos remendos que já está sem aquela cara cidadã em sua origem, em 1988. Tem sofrido com PECados cometidos tanto pelo parlamento quanto pelos governos. Os remendos em terras verde-amarelas não têm aquele glamour que esbanjam as mudanças no texto da Carta Magna dos EUA. Por lá, são chamadas de emendas e não são muitas (no total, são 27), para um texto que tem apenas sete artigos. Já no âmbito Tupiniquim, as intenções de mudança são chamadas de PEC, como esta famigerada de número 241. Ainda que, como diz a canção popular, ¿não exista pecado ao sul do equador¿, no hemisfério norte o sagrado e o profano têm outras conotações.

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O que mais se vê no cenário – cada vez mais – mundano da política é o santo do pau oco. Nas antigas regiões mineradoras do Brasil colônia, os originais serviam para esconder pedrarias contrabandeadas, e estavam envolvidos não apenas altos funcionários do império – os políticos da época –, incluíam-se na lista reverendíssimos membros da Igreja. Dizem que isso é lenda, porque, na Europa, as imagens religiosas eram ocas para não rachar. Mas era a Europa, onde a fé e a ética se criariam e só começaram a rachar com a travessia do Atlântico. Os atuais santos cara de pau oco que atuam no parlamento traficam, nos corredores do Congresso, influências, verbas, propinas e só estão lá por causa do oco na cabeça de muitos devotos brasileiros. Cruz, credo!

Religião não salva política, aliás, pelo que se pode ver no caso brasileiro, a política corrompe a religião. Se Deus é brasileiro, segundo a crença popular, deve já ter pedido cidadania no paraíso; não tem nada a ver com o que estão fazendo em Brasília. Quem pretende falar em nome d¿Ele é 171, porque Ele mesmo não avaliza nada do que rola no Congresso. No entanto, a minha fé é que, hoje, Todos os Santos da Lava-Jato, do MPF e da Polícia Federal possam identificar o indigitado com o codinome de ¿Santo¿, o qual aparece como receptor de propina da Odebrecht em duas obras que ocorreram durante as gestões tucanas em São Paulo.

 
 

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