Cronistas do Diário: "Sítio do verde mar", por José Otávio Binato  - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião19/11/2016 | 07h32Atualizada em 19/11/2016 | 07h32

Cronistas do Diário: "Sítio do verde mar", por José Otávio Binato 

Cronistas do Diário: "Sítio do verde mar", por José Otávio Binato  Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Meu pai partiu já faz 20 anos, deixando uma saudade imensa. Não só neste filho, mas em todos os que tiveram o privilégio de conviverem com ele. Nesta quinta, ele estaria fazendo 95 anos. Escrevi essa crônica em 17 de novembro, e as lembranças me povoaram a alma. A saudade do Waldemar chega com as lágrimas que são a materialização da saudade. Saudade é amor que fica. Que a todo momento cutuca nossa memória e, quando possível, nos remete a uma viagem ao passado. 

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Meu pai foi um anjo que desceu do céu direto em nossa família, nos trazendo a noção de que Deus existe no exercício do amor. Do amor incondicional que ele nos deu e que até hoje permanece em todos nós. Principalmente, na sua família. A casa da praia, em Imbé, tem um nome: Sítio do Verde Mar, uma homenagem ao Waldemar. Por isso, um sobrinho dele, o Gilberto, apelidou-o de tio Verdinho. 

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Um abraço de meu pai era uma transfusão de energia inesquecível. Nos meus tempos de adolescente, tempos de pagar mico, meu pai adorava me abraçar em plena rua, na frente de todos. Carinhosamente, passava as duas mãos em meu rosto. Mesmo eu morrendo de vergonha e querendo fugir daquela situação, ele continuava. Sorria feliz, pois seu objeto de amor estava ali com ele, numa comunhão de amor de um pai por um filho. 

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Dificilmente, hoje em dia, vemos demonstrações de tanto carinho e admiração. Meu pai descascava laranjas de umbigo, separando gomo por gomo, e nós, em sua volta, esperando o momento de nos deliciarmos com aquela fruta tão carinhosamente entregue. Melancia, bergamota e até pinhão. Ele nos entregava descascados. Ele era feliz na medida da nossa felicidade. Quando Waldemar e Cecy, minha mãe, voltavam de São Paulo, onde faziam compras para a Casa Lord, ele trazia escondido no fundo da mala muitos discos long play. Era a nossa alegria. Nossas reuniões dançantes estavam garantidas com as músicas do momento. E ele era o mais feliz de nós! 

Nosso primeiro carro foi uma Rural Willys. Íamos quase todos os fins de semanas para a fazenda de meus avós no interior de São Pedro do Sul. Treze porteiras nos esperavam. Duas delas, crianças abriam com uma felicidade fora do comum. Minha mãe só não desconfiava que meu pai – e só ele – entregava escondido balas e pirulitos. A felicidade de meu pai era indescritível. 

Poderia, quem sabe, escrever um livro! Mas, por enquanto, vou folheando as páginas da saudade. Saudade do Waldemar. Saudade do seu amor. Onde estiveres, meu pai, receba o nosso sentimento mais sincero de gratidão. Teus familiares e amigos lhe abraçam bem apertado. A saudade foi o amor que ficou! Muita saudade, Waldemar! 


 
 

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