Cronistas do Diário: "Seu Roberto e o filho", por Vitor Biasoli  - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião03/11/2016 | 07h02Atualizada em 03/11/2016 | 07h02

Cronistas do Diário: "Seu Roberto e o filho", por Vitor Biasoli 

Cronistas do Diário: "Seu Roberto e o filho", por Vitor Biasoli  Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Os vizinhos ouviram os gritos da criança e vieram acudir. O pai, envergonhado, abriu a porta do apartamento e explicou: "Não foi nada, me desentendi com o guri". Dona Isaura desconfiou e insistiu a entrada. "O menino continua chorando", ela disse. Ela entrou porta adentro, e o pai não teve como impedir. A zeladora e outra vizinha vinham atrás, e o pai conseguiu contê-las. "Não preciso de mais auxílio", ele falou, e foi fechando a porta na cara das duas.

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O guri choramingava num canto da sala, segurando o braço, e gritou ao ver dona Isaura: "foi o pai, foi o pai". A mulher se agachou para examinar o menino, pegou o bracinho com cuidado, ouviu o guri gemer ainda mais e falou sem olhar para o pai: "é melhor levá-lo no pronto-socorro, seu Roberto. Deve ter deslocado alguma coisa".

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O pai saiu em direção ao quarto, para se vestir. "Esse guri é impossível", foi dizendo. As mãos tremiam abotoando a camisa e, depois, calçando os sapatos, amarrando os cadarços, o suor grudando os cabelos na testa. Voltou para sala enrolando as palavras, buscando uma explicação para dona Isaura, e ela falou que não precisava. "Essas coisas acontecem. Agora, é remediar, antes que piore", ela falou.

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O pai pegou a criança do chão com as duas mãos e a abraçou junto ao peito. O menino, de seis anos, estava assustado, fez um breve esforço para se livrar do abraço, mas logo se acalmou e estendeu o braço em torno do pescoço do pai.

No hospital, o médico não fez muitas perguntas, pegou o bracinho do menino, deu dois puxões, ouviu a criança gritar e comentou: "está novo, ó, coloquei no lugar. Não houve fratura". Depois, olhou sério para o pai e disse que recomendava um Raio X para tranquilizar a todos. Sorriu para o menino e perguntou se ele gostava de pescar. O menino disse que sim, e o médico falou: "pra isso precisa de braço forte, braço firme para segurar o caniço e puxar o peixe do rio".

Ao voltar para casa, seu Roberto viu que dona Isaura estava na sacada observando, que todos na rua pareciam olhá-lo. Ele temeu pelos comentários, especialmente os comentários que chegariam a sua mulher, e seguiu em frente. "Esse guri é impossível, é isso. Preciso ter mais calma."


 
 

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