Cronistas do Diário: "Sacrifícios aos deuses", por Hugo Fontana - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião21/11/2016 | 06h34Atualizada em 21/11/2016 | 06h34

Cronistas do Diário: "Sacrifícios aos deuses", por Hugo Fontana

Cronistas do Diário: "Sacrifícios aos deuses", por Hugo Fontana Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS
Hugo Antonio Fontana

hugofontanap@yahoo.com.br

Caso assim, de repente, alguém lhe perguntasse qual a sua opção entre justiça ou segurança, com qual das duas você ficaria? Pois, segundo a maioria dos entrevistados brasileiros, a segurança ganha de 10 a 1. Quando vi essa pesquisa, logo me lembrei daquilo que o escritor uruguaio Eduardo Galeano chamava de "ensino do medo".

A preferência pela segurança em vez da justiça é escancarada nas ruas das cidades onde, cada vez mais pessoas, aplaudem "o sacrifício da justiça no altar da segurança". Toda vez que um marginal (às vezes pela singela, mas gravíssima razão de "estar à margem") é executado, a sociedade parece ter um alívio na doença que a atormenta. A morte de cada "elemento suspeito" surte efeitos terapêuticos sobre os "elementos não suspeitos".

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Na Grécia Antiga, o nome que os gregos davam às vítimas humanas nos sacrifícios que ofereciam aos deuses nos tempos de crise era phármakos, de onde se origina a palavra farmácia. Mais do que uma lembrança histórica um tanto quanto mórbida, isso pode, tal qual me lembra o João, amigo irônico, explicar parcialmente porque existe mais do que uma farmácia em cada esquina.

Brincadeira à parte, o fato é que os delitos se democratizaram e estão ao alcance de qualquer um: "muitos os exercem, todos os sofrem". Diante de tamanho perigo, o pânico coletivo se estabelece. Não por acaso ele é inspiração para que muitos políticos e até jornalistas realizem cruzadas em direção às exigências de mão de ferro e pena de morte. O que não dá para aceitar é, no entanto, a identificação da democracia com o caos e a  insegurança, como muitos apregoam.

Nesse século, que até se moça fosse teria debutado, tudo se globalizou e tudo parece ser muito igual. As redes sociais são o simulacro da democratização de tudo. Tudo ficou muito igual: as ideias e a falta delas; os delitos e os medos dos delitos.

 
 

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