Cronistas do Diário: "República", por Orlando Fonseca - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião15/11/2016 | 07h02Atualizada em 15/11/2016 | 07h03

Cronistas do Diário: "República", por Orlando Fonseca

Cronistas do Diário: "República", por Orlando Fonseca Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Por todos os ângulos que se observe, o Brasil está se afastando do que deveria ser uma república, se é que foi plenamente algum dia. Desde o fim do segundo império, em 1889, com a Proclamação da República – motivo do feriado de hoje –, não temos um ciclo duradouro em nossa vida democrática. De golpe em golpe, de revoluções e rebuliços, suicídio, renúncia, ditaduras civis e militares, dois impeachments, temos um arremedo de normalidade e de um estado em que a coisa pública seja tratada como tal. No país do ¿não temos provas, mas convicções¿, mais vale a proclamação do que a própria coisa – a república.

Ideais republicanos foram-se formando na era moderna com a independência dos Estados Unidos, com os desdobramentos da Revolução Francesa e com a formação dos estados-nações ao longo do século 19. Aqui mesmo no Rio Grande do Sul, o objetivo dos revoltosos farroupilhas não era o separatismo, mas a transição da monarquia para a república no Brasil. Garibaldi, que lutou ao lado dos heróis rio-grandenses, pretendia dar à expressão latina, res publica, o sentido literal que tem: "coisa do povo", "coisa pública", em contraposição à monarquia. Assim como no mundo ocidental, o termo passou a designar aquilo que não é considerada propriedade privada, e, sim, mantida em conjunto por muitas pessoas. No século passado, tivemos muitas oscilações na implantação e manutenção dos valores republicanos. O caso da República de Weimar é emblemático: os militares alemães, não querendo arcar com o preço da derrota na Primeira Guerra, deixaram o poder nas mãos de democratas. A experiência, embora positiva, acabou pavimentando o surgimento de um regime e de uma figura conhecida de todos: o nazismo de Adolf Hitler.

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No Brasil, a Proclamação da República foi feita no grito, um golpe militar, e o povo assistiu de longe. Na letra do hino que celebra esse glorioso evento, o poeta Medeiros e Albuquerque conclama: ¿Liberdade, liberdade abre as asas sobre nós./ Nas lutas, nas tempestades,/ dá que ouçamos tua voz¿. Não estamos em guerra, por certo, mas o mau tempo tomou conta da nossa claudicante república. Por falar nisso, sempre tive uma queixa com Platão, porque, na sua ¿república ideal¿, não haveria espaço para os poetas. Entretanto, nos dias atuais, observando o que um poeta tem feito no comando da nação, estou me inclinando a dar razão ao filósofo grego. O poeta Temer parece estar fechando o ciclo da Nova República, iniciado com outro poeta, o Sarney, ou seja, a sina dos vice e dos poetas tem-nos acossado. 

 
 

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