Cronistas do Diário: "Reencontro", por José Otávio Binato - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião27/11/2016 | 21h03Atualizada em 27/11/2016 | 21h03

Cronistas do Diário: "Reencontro", por José Otávio Binato

Cronistas do Diário: "Reencontro", por José Otávio Binato Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS
José Otávio Binato

josebinato@terra.com.br

Tenho certeza de que somos seres sociais. No útero, aprendemos que um outro está nos cuidando, preocupado conosco. Após o nascimento, nossa dependência é total. A família nos permite um convívio fundamental. A partir desta troca, até os seis anos, vamos organizar nossa personalidade. 

Na segunda infância, intelectualizamos e socializamos, principalmente, na escola, um espaço tão importante para conhecermos o ¿outro¿. Como a adolescência vai até os 25 anos, é nessa fase que colocamos o pé para fora de casa. Ensaiamos nossos ideais, discutimos nossas ideias, vivenciamos nossos grupos de afins, buscamos nossos afetos. Enfim, aprendemos a conviver e a entender que existe um mundo fora de nós. Passamos a vida junto com pessoas. A maioria delas muito diferente de nós. Cada pessoa com seu mundo particular. Com sua solidão. É disso que gostaria de falar. 

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Pensamos o tempo todo. No útero materno, já convivíamos com a solidão. O que pensávamos? O que sentíamos? A psicologia fetal é uma realidade e nos surpreende com seus achados. Freud e outros foram os que mais pesquisaram nossas elaborações mentais no início de nossa vida. As fases oral, anal, fálica e edipiana nos remetem a um momento de intensa construção de pensamentos e sentimentos. Nesta aparente quietude mental, vivenciamos uma primeira consciência do nosso Eu. Vamos solitariamente nos percebendo gente, indivíduo, persona. Mesmo na infância, de tantas trocas, passamos boa parte do tempo conosco. Em uma sala de aula, ainda que prestando a atenção na professora, estamos a sós, elaborando pensares só nossos. Jovens sempre se fazem as perguntas clássicas: quem sou eu? De onde venho? Para onde vou? Afinal, qual é mesmo a minha? Todas essas questões remetem nossa juventude para a solidão de seus quartos. 

Como o encontro consigo é muito dolorido, incerto, intenso, emocionante, nossos jovens procuram compartilhar com seus amigos as angústias que os solicitam decisões. E nem sempre estão maduros e experientes para tomá-las. Mas, vivem sós e não têm como fugir. Crescemos, amadurecemos, nos tornamos adultos, e a solidão que é só nossa, continua a nos acompanhar. Agora, que estás lendo essa crônica, estás sozinho. Contigo mesmo. Até pode estar junto de alguém, mas estás a sós. Só tu podes parar de ler, fechar os olhos, respirar fundo e se perguntar: afinal quem sou eu mesmo. A resposta está aí junto de ti, na solidão que nos ajuda a encontramos nossa essência. Quem sabe possas gostar da tua solidão. Quem sabe comeces a gostar de ti mesmo!   

 
 

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