Cronistas do Diário: "Provas x convicções", por Orlando Fonseca - Cultura e Lazer - Diário

Versão mobile

Opinião22/11/2016 | 06h59Atualizada em 22/11/2016 | 08h17

Cronistas do Diário: "Provas x convicções", por Orlando Fonseca

Cronistas do Diário: "Provas x convicções", por Orlando Fonseca Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Pensando com a cabeça de alguém na Idade Média, todas as evidências seriam de que o sol gira em torno da Terra. Hoje, temos, a nosso favor, as observações científicas e imagens obtidas fora da órbita do nosso planeta. Naquele tempo, com base na própria experiência e na dos sábios notáveis, aceitaria, sem dificuldade, vivermos no centro do universo. Outro dia a minha filha, Luísa, sentada em sua cadeirinha no banco de trás do carro e olhando pela janela, admirou-se pela constatação de que muitos de nós, quando criança, também formulamos: a lua parece que está nos acompanhando. Era um dia de superlua, mas não era a primeira vez que ela fazia esse comentário, mesmo que em outras ocasiões já tivéssemos explicado sobre distância e ponto de observação.

A menção à convicção empírica vem a propósito da posição do recém-eleito presidente americano, Donald Trump. Durante a corrida à Casa Branca, manifestou que o aquecimento global é falácia armada pelos inimigos da economia americana. Quando se tratava de marketing eleitoral, podia-se relativizar as suas palavras, mas, agora, o assunto assume relevância catastrófica. Inclusive, organismos da ONU ligados ao clima se apressam em dar caráter de urgência às medidas já acordadas. A suposição é que a agenda Trumpetista é, sem qualquer perspectiva ambiental, capitalista.

Leia mais textos dos cronistas do Diário

A especulação financeira quer dinheiro de imediato, sem preocupações com daqui a 100 anos. E, aí, pergunto: o aquecimento global é resultado da ação humana ou é apenas um dos ciclos da natureza? A verdade é que se leva séculos ou milênios para ter uma visão clara do assunto. Há quem duvide ser o derretimento das geleiras no polo Norte consequência da ação do ser humano. Pesquisas apontam que as flatulências das vacas produzem mais problemas na camada de ozônio que o gás dos escapamentos de veículos.

No entanto, sabemos que a poluição industrial causa mal para a saúde humana, e que a natureza, por si mesma, não produziria as toneladas de resíduos que escapam para o ar. Logo, podemos, empiricamente, chegar à conclusão de que estamos causando efeitos maléficos, com certeza. Portanto, na dúvida, é melhor mudar de atitude. Vai que melhore. Se for da própria natureza – assim como vulcões e terremotos – não vai pesar na consciência de ninguém. Mas só ficaríamos sabendo no próximo milênio, quando um cronista sem ter o que fazer imaginaria o que passava na nossa cabeça para termos certas iniciativas. Certamente, terá mais dificuldade em entender como é que elegeram o Trump.

 
 

Siga Diário SM no Twitter

  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMMulher é assassinada na região oeste de Santa Maria https://t.co/PjnX8VoQqu https://t.co/xgnVH6iXCChá 6 horas Retweet
  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMPelos trilhos, chegou o samba em Santa Maria https://t.co/sVGmCS0tNY https://t.co/ICHoOh2gYmhá 8 horas Retweet

Veja também

Diário de Santa Maria
Busca
clicRBS
Nova busca - outros