Cronistas do Diário: "Palmira", por Hugo Fontana - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião14/11/2016 | 07h15Atualizada em 14/11/2016 | 07h15

Cronistas do Diário: "Palmira", por Hugo Fontana

Cronistas do Diário: "Palmira", por Hugo Fontana Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS
Hugo Antonio Fontana

hugofontanap@yahoo.com.br

Perguntar quem somos, de onde viemos e para onde vamos é coisa que os romanos aprenderam com os gregos, e nós – talvez muito poucos – aprendemos com os clássicos. Se o mundo fosse tão evidente, não estaríamos, por exemplo, até hoje tentando entender a vitória de Trump. Quando não se consegue a objetividade, tão cara às explicações superficiais, apela-se até para uma certa "maioria silenciosa" que, num futuro próximo, poderá, com sotaque bem brasileiro, eleger presidente o capitão Bolsonaro. Preconceitos, sexismo, nacionalismo, ódio latente, et cetera e tal, seriam alguns dos componentes dominantes no pensamento e na ação dessa "maioria".

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Nascido na esplêndida Aix-en-Provence, Paul Veyne, escritor e historiador, do alto dos seus 86 anos, anda indignado com muita coisa desse nosso mundo volátil. Escreveu recentemente "Palmira", que, apenas na sua versão espanhola, já vendeu mais de 150 mil exemplares. Nela, o tradutor de Virgílio, entre outras abordagens, manifesta-se sobre a destruição, pelos jihadista do exército islâmico, de templos e túmulos de Palmira. Como explica Veyne, Palmira era um Porto tão importante no deserto como Veneza o era no Mediterrâneo. Sua destruição significa apagar do mapa um elo fundamental com o Oriente. Na mesma obra, ele lembra que nossa época fala muito de imperialismo cultural e identidade, mas se esquece de que a modernização pela adoção de costumes estrangeiros desempenha um papel mais importante na história do que o nacionalismo.

Na sua campanha, Trump teve no islamismo um dos seus alvos. É provável que nunca tenha lido nem Veyne ou nem sequer um clássico. Isso pode não o impedir de criticar as ações bélicas do chamado Estado Islâmico, que mata humanos "infiéis" da mesma forma com que destrói a memória da humanidade. Nas suas futuras intervenções verbais ou bélicas contra o Estado Islâmico, por razões óbvias, omitirá que o seu país, com o blefe da "guerra cirúrgica", errou Saddam Hussein, acertou milhares de crianças, mulheres e civis e dizimou Bagdá, onde tudo nasceu. 

 
 

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