Cronistas do Diário: "Enganar, burlar, passar a perna", por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião10/11/2016 | 07h16Atualizada em 10/11/2016 | 07h16

Cronistas do Diário: "Enganar, burlar, passar a perna", por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: "Enganar, burlar, passar a perna", por Vitor Biasoli Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

Estou acompanhando as notícias a respeito de fraudes nos exames do Enem. Pelas informações, a Polícia Federal captou mensagens no estado de Minas Gerais, entre uma central no município de Monte Carlos e uma candidata numa escola do município de Carbonita, 126 quilômetros de distância entre uma cidade e outra. As mensagens eram relativas ao gabarito da prova, e a operação policial já indiciou 25 pessoas, entre quadrilheiros e candidatos.

As informações a respeito dos equipamentos utilizados confirmam as histórias mirabolantes que aqueles que já trabalharam nesse tipo de prova escutaram tantas vezes. Casos envolvendo aparelhos eletrônicos sofisticados, utilizados para estabelecer contato entre alguém de fora da sala de exames e candidatos.

Fui fiscal nos vestibulares da UFSM durante anos e ouvi essas histórias em diversas ocasiões. Não presenciei nenhuma. Nem ouvi confirmação das que escutei. Dessa vez, no entanto, a coisa está comprovada. Há gravação das comunicações estabelecidas, e os aparelhos foram apreendidos. Equipamentos eletrônicos com chip de celular foram colocados no peito ou braço de candidatos, acompanhados de um ponto minúsculo de escuta dentro de seus ouvidos e, dessa maneira, uma comunicação perfeita entre a central e o candidato. Coisa de Primeiro Mundo.

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Pelas informações, não foi o fiscal de sala que bispou, por exemplo, que uma jovem loirinha de 19 anos, numa escola no município de Carbonita, estava com um ponto no ouvido, escutando as respostas das questões. Foi a polícia. Ao que tudo indica, a candidata não foi retirada da sala durante a prova. Mas, se isso aconteceu, imagino a cara dos fiscais: puro espanto.

Eu ficaria assim: de queixo caído. Não tanto pela alta tecnologia envolvida, mas pela estudante enrolada no caso. Em Carbonita, foi uma mocinha com jeito angelical quem tentou burlar o processo seletivo. Dizem que pagou entre R$ 150 mil e R$ 180 mil pelo serviço. Será que achou que era mais esperta que os outros candidatos? Seguramente.

Estou acompanhando as investigações a respeito da fraude. Na verdade, tentando entender essas coisas da maldade humana: enganar, burlar, passar a perna.

 
 

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