Cronistas do Diário: "Daqui a pouco já é verão", por Jumaida Rosito - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião25/11/2016 | 07h10Atualizada em 25/11/2016 | 07h10

Cronistas do Diário: "Daqui a pouco já é verão", por Jumaida Rosito

Cronistas do Diário: "Daqui a pouco já é verão", por Jumaida Rosito Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Se a natureza é mãe, ela ensina. Mas aprender sobre a vida, na primavera, é como estar na escola naquele dia de excursão: o ônibus vira o pátio no recreio, os professores são colegas, que cantam bobagens junto com a gente, e o destino final, pouco importa. A primavera é óbvia! A cada ano, nos reapaixonamos por ela; flores explodem por todos os cantos, para todos os encantos. Como tatus sazonais, nos atiramos à terra, cavando canteiros, paisagistas amadores. A temperatura amena encoraja os pequenos e grandes voos, e, naturalmente, com tanta vida explodindo, renovamos esperanças e planos, já que tudo o mais também recomeça. Mas existem lições que vêm com o frio, e que precisamos copiar do jeito antigo, a lápis mesmo! Se valorizarmos só a explicitude, podemos perder o encanto do que se esconde.

Por exemplo, quando o sol dá uma trégua, e a cerração de outono vem umedecer as manhãs, os musgos, aqueles tapetinhos verdes que forram muros e caminhos, alcançam sua plenitude. Quem tiver oportunidade, que se aproxime deles. Primeiro, sentirão o cheiro inigualável de terra molhada; um privilégio. Depois de um minutinho de abandono, e de preferência, com auxílio de uma lupa, perceberão aquele tapete como uma minúscula floresta, cheia de vida. A escritora Elizabeth Gilbert, em seu livro ¿A assinatura de todas as coisas¿, nos ensina sobre o ¿tempo do musgo¿. Eles crescem com uma lentidão tamanha que a maioria das pessoas não consegue perceber avanços, e os desconsidera. Existe muita gente que tem um ¿tempo de musgo¿. As cobranças e expectativas exageradas não funcionam com elas; é preciso respeito e paciência com sua natureza. No tempo certo e do seu jeito, elas responderão. É também no frio que muitas árvores desfazem-se de suas folhas, como medida de economia. Sabendo dos tempos difíceis que se aproximam, elas abrem mão do que é supérfluo no momento – suas folhas ou flores –, e adormecem na espera de dias melhores. É sempre bom lembrar que, às vezes, é preciso perder para ganhar. Além disso, o espetáculo de seus troncos nus, engenhosa arquitetura, diferentes texturas, nos lembra da beleza que, às vezes, esconde-se na perfumaria exagerada. 

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A hera rasteira, que plantei embaixo do jambolão, é como uma daquelas pessoas branquinhas que fogem do sol com medo de queimaduras. Durante os meses mais frios, ela se atreve além da circunferência da copa de seu protetor, e me enche de esperança de que vai forrar meus canteiros. Acompanho suas investidas tímidas e elogio seu progresso; mas basta o sol do verão mostrar sua cara redonda que ela se recolhe à sombra de seu hospedeiro. Aprendi a aceitá-la assim, não se pode exigir das criaturas aquilo que elas não podem dar. Acreditem, os meses quentes nos enchem de vitalidade, mas nos distraem também. Na quiescência do frio, mais mistérios se revelam e temos tempo para aproveitá-los. Mas, por enquanto, que venha a vida em exuberância!

 
 

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