Cronistas do Diário: "Dante & Beatriz", por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião25/11/2016 | 12h48Atualizada em 25/11/2016 | 12h48

Cronistas do Diário: "Dante & Beatriz", por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: "Dante & Beatriz", por Vitor Biasoli Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

Passei no sebo e vi um desses livros que comecei a ler no tempo de estudante e deixei pela metade. Levei para casa e foi como se retomasse um caso antigo. Trata-se de Itália: Os Séculos de Ouro, dos jornalistas Indro Montanelli e Roberto Gervaso (Ed. IBRASA, 1969), a respeito dos séculos 14 e 15, nos quais viveram figuras do naipe de Dante Alighieri e Boccaccio.

No que diz respeito a Dante, os autores relatam possíveis encontros entre o poeta e a sua musa Beatriz. Historiadores sérios afirmam que as informações a respeito de Beatriz são questionáveis, e há quem diga que se trata de figura imaginária: a mulher idealizada, símbolo do amor e da beleza, que o poeta bem gostaria que orientasse a sua vida. N¿A Divina Comédia, é Beatriz quem conduz o poeta pelo paraíso.

Para Indro Montanelli e Roberto Gervaso, no entanto, Beatriz é uma figura de carne e osso. Ela e o poeta vivem em Florença, quando jovens, e chegam a encontrar-se na rua. O poeta a saúda, e a bela Beatriz não responde, ofendida. Ela sabe que o poeta lhe promoveu à categoria de musa inspiradora e, no entanto, vive se engalfinhando com outras raparigas. ¿Ora, vai te catar¿, devia pensar a musa.

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Tempos depois, os dois se encontram na festa de casamente de Beatriz – com outro homem, claro –, e o poeta empalidece. Quase desmaia, e um amigo o carrega para fora do salão, enquanto Beatriz sorri com ares de vingança. Eles nunca mais se veem, o poeta se casa com a noiva a que estava predestinado desde os 12 anos de idade, e Beatriz morre aos 24 anos, deixando Dante abalado.

Seguramente, esses encontros entre Dante e Beatriz são fantasias dos autores, mas funcionam, isto é, servem para delinear os traços austeros e frágeis do poeta, severo em relação ao mundo e atormentado por profundas idealizações. Dante foi um sujeito de vida desgraçada, exilado da sua cidade por motivos políticos, aos 37 anos, e obrigado a vagar com pouco dinheiro pela Itália. Seu consolo era a poesia.

Na prosa imaginativa dos jornalistas, a musa se vinga da versalhada do poeta e este vai, solitário, construir com seus versos a base da língua italiana e conquistar a glória literária. Realizações que só interessam à posteridade, pois, na vida presente – no tempo em que Dante era de carne e osso –, o poeta não foi prestigiado. Era um infeliz, mas, provavelmente, satisfeito com a sua infelicidade, certo de estar sendo conduzido pela espiritualizada Beatriz, fonte do amor e da beleza. Coisa de poeta ¿das¿ antiga.

 
 

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