Cronistas do Diário: "Amor em tempos de reciclagem", por Diomar Konrad - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião16/11/2016 | 06h39Atualizada em 16/11/2016 | 06h39

Cronistas do Diário: "Amor em tempos de reciclagem", por Diomar Konrad

Cronistas do Diário: "Amor em tempos de reciclagem", por Diomar Konrad Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

No meu dia a dia, produzo uma certa quantidade de lixo dividido entre os orgânicos (aqueles que já foram vivos um dia) e os inorgânicos. O fim do amor pode ser classificado como a produção de um tipo de lixo orgânico, que já foi vivo e que entra em decomposição rapidamente para os práticos e leva mais tempo para os sonhadores e românticos. E, como todo lixo, sempre tem alguém para aproveitar o que não quero mais. São os catadores do amor, revirando lixeiras com cheiro de ódio, decepção e promessas de que nunca mais se entrará nesta "canoa furada".

O catador de amor é um sujeito que ainda tem um certo orgulho, diferentemente do mendigo do amor. Pelo menos, ele escolhe o que está catando. O mendigo do amor, esse coitado, aceita tudo que lhe dão.

Mas, do jeito que falo, parece que estou no topo da cadeia de alimentação, que nunca me interessei pelos restos dos outros. Ledo engano. Também já cobicei o prato alheio, esperando uma lasquinha ou uma sobra daquilo que seria indesejado. Mas fiz isso com ética (se é que é possível ser assim nesse campo). Ao conhecer a namorada de um amigo, interessei-me e disse para ele: olha, gostei muito dela.

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Quando você enjoar, encher o saco, recomende-me. Pense, o leitor, comigo se não seria correto agir assim: você está namorando, e alguém, uma pessoa que você conhece, que é legal (pelo menos eu me achava na época), interessa-se pela sua alma gêmea, e você, meses, dias, horas depois, perde o interesse. Vai lá, conversa, explica que não quer mais e mostra o currículo do amigo. Olha, eu não te falei antes porque não queria, mas o... sempre esteve a fim de ti. E ele é um cara legal, inclusive sempre foi contra que eu aprontasse contigo. Assim que você se curar dessa ressaca, olhe para ele com outros olhos. Acho que vale a pena.

Porém, falando assim, a gente esquece de um ponto importante: o lixo (aquele que foi jogado fora) também tem sentimentos. No caso que aconteceu comigo, o lixo, sabendo que eu estava interessado, tentou me usar como motivo para provocar ciúme em seu antigo "dono". O catador, no caso, eu, estava sendo vítima do lixo, que desejava me usar para voltar para dentro de casa, na condição de reciclável.

Catadores do amor, cuidado, vocês podem estar apenas sendo usados. Ao catar amor reciclado, muito cuidado para não se machucar. O ideal é evitar casos mal resolvidos, com vestígios presentes. Melhor é olhar no fundo da lata para ver se não sobrou um pouquinho de vontade de voltar. O amor reciclado é uma mercadoria perigosa, encontrado aos montes em lixões da vida. É mais fácil e barato de conseguir, mas o barato pode sair caro.

 
 

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