Cronistas do Diário: "A UFSM e a força da juventude", por Marcelo Canellas  - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião19/11/2016 | 07h11Atualizada em 19/11/2016 | 07h11

Cronistas do Diário: "A UFSM e a força da juventude", por Marcelo Canellas 

Cronistas do Diário: "A UFSM e a força da juventude", por Marcelo Canellas  Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Em 1986, quando eu era estudante de Jornalismo, participei daquela que era, à época, a maior assembleia da história da Universidade Federal de Santa Maria. Mais de 5 mil pessoas, entre estudantes, professores e funcionários lotaram o estádio do campus para debater democracia universitária, parte da estratégia de defesa do ensino público e gratuito de qualidade em todos os níveis, ameaçado, pra variar, com medidas de ajuste do governo federal. 

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Ao meu lado estava um amigo e colega de quem gosto muito. Ele, rouco como eu, entusiasmado como eu, otimista como eu, acreditava na força e na energia da juventude para mudar o país.

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Foi com grande alegria que, 30 anos depois, vi, numa foto aqui no Diário, na semana passada, aquela mesma arquibancada lotada de jovens em mais uma assembleia histórica, em que os estudantes decidiram pela continuidade da ocupação de prédios da universidade em protesto contra a Proposta de Emenda Constitucional 241/55, que limita os gastos públicos. Quis comentar com aquele meu amigo, hoje professor da UFSM. 

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Mas quase fui xingado ao telefone. Furioso, esbravejou que está impedido de dar aula, que não adere à greve, e que vai ficar em casa assistindo TV por causa de vagabundos que não gostam de estudar. Logo que disse isso, bateu o telefone sem se despedir.

Não acho absurdo alguém mudar tão radicalmente. Afinal, são trinta anos. Muitos de meus amigos, desiludidos e amargurados, abandonaram seus sonhos de juventude. Eles continuam sendo meus amigos, pois não escolho afetos por ideologia. Esses meus velhos camaradas podem até ficar bravos comigo, mas eles têm de saber que o Brasil não mudou o suficiente para ficarmos em casa vendo TV. 

A universidade pública é um patrimônio do povo brasileiro. Defendê-la é, e sempre será, em qualquer época, dever de quem a frequenta graças aos impostos dos contribuintes. Em minha opinião, a ocupação pacífica do campus, com zelo ao patrimônio público, é uma forma legítima de resistência democrática. O direito à rebeldia contra medidas autoritárias é, sim, parte da democracia.

O que meu indignado ex-parceiro de assembleia não compreende é que o movimento de ocupação não é uma querela pessoal contra ele. O problema não é o umbigo do meu amigo, é a PEC 241/55, que traz uma pegadinha das grandes. O texto diz que educação e saúde não serão afetados desde que os cortes de outras áreas mantenham o investimento necessário. Ninguém é tão ingênuo de acreditar que esses cortes serão mesmo feitos para carrear o dinheiro da educação que, aliás, é mal aplicado desde sempre. Eu não acredito no governo. Na força da juventude, eu acredito.


 
 

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