Cronistas do Diário: "A ponte", por Orlando Fonseca - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião08/11/2016 | 06h44Atualizada em 08/11/2016 | 08h28

Cronistas do Diário: "A ponte", por Orlando Fonseca

Cronistas do Diário: "A ponte", por Orlando Fonseca Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Metáforas de escracho entraram na moda com o governador e seu "piso-da-tumelero" para os professores estaduais. Mas eu quero resgatar o sentido – digamos – mais profundo de outra metáfora: a ponte, essa no nível federal. A tal Ponte para o Futuro sai de onde e liga o quê? Seria o presente – negado pelo atual mandatário, interessado em apagar tudo? Ou o passado, camuflado nos projetos que vão eliminando avanços sociais da Constituição de 1988 e da LDB de 1996? Uma ponte liga duas margens para se elevar acima de um curso d'água ou de um vale, mesmo em uma metáfora. E, ao dizer que leva em seu final ao futuro, para onde aponta mesmo? Aprendi que o futuro ainda não existe, logo, uma ponte para lá não passa de Medida Provisória. Se não for tudo em vão, isso me parece mais esculacho no povo. E foi o Poeta do Planalto que começou, limitar-me-ei a conjeturar pasmo.

O povo diz "o futuro a Deus pertence" para afirmar que ele não existe – o futuro, claro. É por isso, inclusive, que na economia se "rola a dívida" do presente para o incerto depois; os rentistas fazem apostas no mercado futuro. Durante muitos anos, falou-se em "utopia", para supor uma situação estável em algum lugar remoto adiante no tempo. Cansado desse percurso, hoje falamos em distopia, para tratar das inquietações do "aqui e agora". A Ponte do Temer não passa de truque cenográfico, um viaduto passando por cima da agenda atual para um compromisso que só atende a interesses escusos. Os números das pesquisas de opinião indicam que a maioria não pretende se arriscar nessa travessia. De longe, o povo fica olhando, com medo do pedágio, pois sempre sobra para ele pagar o pato.

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A votação da PEC 241 (agora 55, no Senado), um dos pilares dessa Ponte, deu uma mostra bem significativa do que significa. Como disse Darcy Ribeiro: a crise da educação não é falha, é um projeto. E, nesse pacote, cabe muita maldade – vide o que disse o deputado Marquezelli, do PTB: quem não tem dinheiro não pode ir para universidade; erradicar a pobreza matando os pobres à míngua; precarizar – Tatcher é o modelo – os serviços públicos; retirar investimentos em ciência e tecnologia para garantir a dependência aos EUA. É melhor manter a senzala ignorante, porque, assim, aceita melhor as manobras para sustentar o saldo bancário dos da Casa Grande; é melhor manter ou piorar o caos da saúde – o Menos Médicos – porque, assim, erradicam-se as doenças graves, e só ficam os sadios. E o pior é chegar à conclusão de que, como ninguém sabe por onde se chega ao futuro, essa ponte parte mesmo é para o passado.

 
 

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