Cronistas do Diário: Preconceitos, por Diomar Konrad - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião12/10/2016 | 19h15Atualizada em 12/10/2016 | 19h15

Cronistas do Diário: Preconceitos, por Diomar Konrad

Cronistas do Diário: Preconceitos, por Diomar Konrad Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução

Imagino que os prefixos e os sufixos tenham sido inventados em períodos de crise, quando a ordem reinante na sociedade era economizar e aproveitar os recursos existentes. Para que desperdiçar o fôlego e a criatividade criando novos termos quando seria possível adaptar os existentes inserindo (ou afixando) algumas letras aos já ditos e compreendidos pela população.

Dessa forma, como primo-irmão do conceito, surgiu o preconceito, que nada mais é do que uma ideia anterior à própria formação do conceito ou uma ideia errada a respeito do próprio conceito. O que os criadores do prefixo não imaginavam é que o novo conceito, aqui falando sem preconceitos, seria capaz de fugir do raio de ação no qual teria sido colocado, ou seja, que seria tão independente do conceito em si, transformando-se em outro conceito de caráter pejorativo que identifica algo ruim, a não ser quando cria laços de pertencimento em grupos que se formam para disseminá-lo.

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O preconceito, em sociedades politicamente corretas, passou a ter significado de palavrão, de conduta não condizente, de algo a ser abolido em nome do respeito ao próximo e de garantia dos direitos individuais de cada um dos cidadãos pertencentes à nação. Em nome do combate ao preconceito, devem ser criadas ações de inclusão, para que o diferente se torne igual ou semelhante em suas possibilidades.

Portanto, deve ser entendido que o preconceito não surgiu com a mera criação da palavra, mas que a mesma cristalizou um significado que já existia no meio social. Porém, sua identificação como conceito, ou como preconceito, serve para se entender que o fenômeno existe e pode ser combatido ou não. Assim, tanto para os que afirmam não ter preconceitos quanto para aqueles que vivem externando-os, saber que eles existem só foi possível quando a linguagem reconheceu-os.

O fato é que o preconceito se tornou tão comum que ninguém mais associa-o com aquele que lhe deu origem, o conceito, assim como, talvez daqui a algum tempo, ninguém mais se lembre que o pré-sal tinha, originalmente, seus recursos destinados à saúde e à educação. Infelizmente, o prefixo foi vendido a preço de banana, quer dizer, acho até que a banana está mais valorizada.

 
 

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