Cronistas do Diário: "Por que os barcos adernam?", por Hugo Fontana - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião31/10/2016 | 07h08Atualizada em 31/10/2016 | 07h09

Cronistas do Diário: "Por que os barcos adernam?", por Hugo Fontana

Cronistas do Diário: "Por que os barcos adernam?", por Hugo Fontana Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS


Sei, logo de cara, alguém pode objetar: "Não seria melhor por que os barcos podem adernar?". "Porque estão excessivamente carregados". Pode ser essa uma resposta possível. No nosso caso, o "barco" aderna – é tão somente uma singela desconfiança – pela excessiva "carga" histórica.

Quem começou a República? Um golpe. O que aconteceu a seguir? Outro golpe. E assim vamos, com raros intervalos, sobrevivendo aos golpes. Raymundo Faro (Os Donos do Poder) lembrou bem dos estamentos representados por um grupo burocrático estatal que nunca apeou do poder. Sempre esteve lá, disfarçado em gestão, perpetua-se por trás de interesses e das lutas entre classes (com perdão ao obsoletismo, pois, segundo muitos, nem existem mais as "tais classes sociais"). Através da sua "viagem redonda", esse grupo parece retornar sempre ao poder, seu ponto de origem.

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Num tempo em que a propaganda oficial, espécie de "positivismo Temeriano", faz ressurgir o lema da nossa bandeira, lembro de outro livro antigo de Hélio Silva (com primeira edição em 1984) que também nos recordava da periodicidade dos golpes e contragolpes que, historicamente, têm nos retardado. Os donos do poder usaram a escravidão para, depois, eles mesmos virarem escravos. Ficaram escravos do multicapital, da fraude, do suborno, do empreguismo, da corrupção.

Há pouco tempo, tínhamos esperança de que o "barco" começava a distribuir mais equitativamente sua "carga". Ledo engano. A espessura "bolorenta de um parasita incrustado" se sobrepôs aos melhores sonhos do convés.

Teria razão o historiador Toynbee quando fez a sua divisão do mundo, na qual condena a um destino medíocre os povos situados abaixo da linha dos trópicos? Ou isso seria o equivalente a acreditarmos em povo escolhido da Bíblia ou raça ariana pura dos nazistas? Não sei. O máximo que me atrevo é acrescentar outra perguntinha: ao final de todas as "operações de saneamento" que estamos presenciando, nosso "barco", enfim, não corre mais o risco de adernar?

 
 

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