Cronistas do Diário: Mulher do Trump, por Orlando Fonseca - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião11/10/2016 | 06h12Atualizada em 20/10/2016 | 21h59

Cronistas do Diário: Mulher do Trump, por Orlando Fonseca

Cronistas do Diário: Mulher do Trump, por Orlando Fonseca Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS

Histriônico, excêntrico e destemperado são adjetivos comuns da imprensa americana ao candidato republicano Donald Trump. Na semana passada, em plena corrida à Casa Branca, foi pego mais uma vez pela falta de noção. Vieram a público declarações misóginas, feitas em 2005, quando já era casado. Mas intrigante foi a declaração de sua mulher, Melania (the lady is a Trump), sobre o pedido de perdão do boquirroto. "As palavras usadas por meu marido são inaceitáveis e ofensivas para mim. (...) Espero que as pessoas aceitem suas desculpas, como eu fiz¿. No vale tudo da campanha política, equivale a ¿ele é louco, mas tem bilhões nas contas bancárias, votem nele, porque tem crédito humano e financeiro¿.

Pensei que já tinha visto tudo, mas vou precisar de mais umas três ou quatro décadas para ter ideia melhor. Porque percebo aí uma similaridade com o que se viu no Brasil, nas últimas eleições, em que 23 milionários foram eleitos como prefeitos no primeiro turno, em grandes cidades brasileiras. E a maioria do seu colégio eleitoral se concentra nas periferias. Não à toa, um desses representou na TV brasileira o papel que consagrou Trump nos EUA. Aliás, o dublê brasileiro, inclusive, é dono de pérolas parecidas com as do original, só faltou quem viesse a público pedir que o povo o perdoasse, pois ele haverá de cuidar dos mais necessitados.

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É até compreensível que a mulher do Trump venha defendê-lo, e se dizer crente em sua honestidade, pois ela tem muitos milhões de dólares a perder. Estratégia do marketing, tenta convencer os eleitores de que ele pode representá-los no comando da maior potência mundial. Nem os seus correligionários acreditam mais. Já no caso brasileiro, em que representantes da elite são eleitos pela classe mais pobre, só posso achar que a falta de noção é uma praga contagiosa. Para o senso comum, quem tem milhões, tem crédito. A classe política fez por merecer o descrédito, mas houve uma campanha poderosa em demonizar a política. Basta prestar atenção para ver o que as medidas de um administrador vindo da elite protege.

Segundo reportagem do jornal O Globo deste fim de semana, pelo menos 1 milhão de famílias voltarão para as classes D e E nos próximos nove anos, recolocando o Brasil no mapa do pobreza. Onde a população desatenta foi se refugiar? Na crença parecida com a da mulher do Trump: ele fala bobagem, mas será um bom líder. Os EUA, que nos legou as bases da democracia moderna, continuam a nos abastecer com exemplos, mesmo os trágicos, ou tragicômicos, como queiram.

 


 
 

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