Cronistas do Diário: "Caríssimo Paulo", por Tatiana Py Dutra - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião15/10/2016 | 10h11Atualizada em 16/10/2016 | 16h42

Cronistas do Diário: "Caríssimo Paulo", por Tatiana Py Dutra

Editora de Geral do Diário relata lembranças que tem do professor de Jornalismo da UFSM, Paulo Roberto Araujo, que faleceu no último dia 5

Cronistas do Diário: "Caríssimo Paulo", por Tatiana Py Dutra Arquivo pessoal/Facebook
O professor Paulo Roberto Araujo com um de seus quatro filho felinos, Miró Foto: Arquivo pessoal / Facebook

O Facebook facilitou algo que muito me felicita. Ainda hoje, eu me comunico com a educadora que me alfabetizou, converso com minha primeira professora de dança, troco ideias, dou risadas e até brigo com mestres que me ensinaram ao longo da Educação Básica, Superior e até da pós-graduação. Mas com o Paulo Roberto (ele preferia ser chamado pelos dois nomes) era diferente.

"Caríssima, Tatiana..." Era assim que começavam as repostas dele as minhas postagens na rede social. Muitas vezes, falávamos sobre indiretas que ele mandava por meio de escritos em moleskines e mensagens escritas em muros. Mas, geralmente, a nossa pauta eram os gatos. Nossos filhos peludos e suas peripécias valiam, no mínimo, um "like" e, nas melhores ocasiões, longos papos ao vivo, regados a café e carinho.Nesses encontros, não raro com a presença de outros colegas da antiga, ele sempre achava uma forma de elogiar a minha turma. "Vocês eram diferentes...", dizia. Sempre achei sinceros os elogios dele à turma de jornalistas que se formou em janeiro de 1998 na UFSM. Não só pelo companheirismo que criamos com o professor de Radiojornalismo, mas pelo esforço que demonstramos em capturar tudo o que ele ensinava. Muito do que ele nos disse, uso até hoje.

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Descobri, da maneira mais triste, que muitos dos quase milhares de alunos do Paulo Roberto Araujo pensavam o mesmo. Quando nosso bom mestre "encantou-se" (a expressão é dele), no último dia 5, reencontrei e conheci dezenas de jornalistas que passaram pelas turmas da Facos. Todos com quem conversei tinham alguma história de intimidade compartilhada com o professor. Jantares com massa ao pesto, banhos numa misteriosa "banheira de neóbio", a coleção de bengalas, uma infinidade de cafés, a alegria dele nas nossas formaturas, as críticas à pobreza do jornalismo contemporâneo, a impaciência com a burrice...

Nada disso morreu com ele. Ficou vivo na memória de quem conviveu com aquele professor sincero, esforçado, rigoroso e bem-humorado, que gostava de falar com os ex-alunos e colegas, ainda que fosse pelo Facebook.Eu, agora, converso com ele vendo fotos antigas. Prefiro aquelas em que ele posa com os filhos felinos Ava, Miró, Piaf e Anis Lupita. Um carinho genuíno fica explícito nos olhos dele. E eu colho um pouco para mim também.

Sentimos saudade, Paulo. Mas fica tranquilo: tua ninhada está unida. O Karim conseguiu.

 
 

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