Cronistas do Diário: "Aprendizagem", por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião27/10/2016 | 19h03Atualizada em 27/10/2016 | 19h03

Cronistas do Diário: "Aprendizagem", por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: "Aprendizagem", por Vitor Biasoli Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

As tarefas de um professor, muitas vezes, são ingratas. A aprendizagem requer um aluno com disposição para aprender, e isso, às vezes, não acontece. É um quadro desanimador, mas alguns professores seguem em frente, não esmorecem.

Pensei nisso mais uma vez (mesmo aposentado), quando visitava uma igreja barroca do Rio de Janeiro. Sentado num banco da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, assistia ao guia do local falar a um grupo de estudantes e, quando dei por mim, estava observando as caras da gurizada. O homem explicava o contexto do Brasil colonial no qual a igreja foi construída, a marca da escravidão, o lugar dos franciscanos na sociedade da época, e tive a impressão de que alguns alunos não prestavam a mínima atenção. Alguns olhavam distraidamente a rica decoração da igreja – de ¿luxo e dramaticidade¿, como se esmerava em explicar o guia –, e tive a certeza de que aquela conversa não fazia sentido para eles.

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Ensinar, muitas vezes, é assim: um esforço inútil. Não é tarefa fácil fazer alguém entender um assunto a respeito do qual não está motivado. Aquele guia era um professor esmerado, lidava com as informações de maneira clara, mas sua competência ao tratar o assunto não era suficiente para despertar algumas cabecinhas.

O leitor, talvez, imagine que eu estivesse desanimado, mas não era nada disso. Estava realizado pelo fato de ter tido condições de conhecer aquela igreja, que já tentara visitar em outra ocasião e não conseguira, e, por isso, chocava-me a expressão de indiferença de meia dúzia de adolescentes. Se eles soubessem o que estão perdendo, pensei. Mas, logo, lembrei que cada coisa tem seu tempo e que, talvez, não fosse o tempo daqueles guris. Ora o barroco, ora a devoção franciscana! Para que aprender sobre essas coisas antigas?!

Fiquei boa parte da manhã no interior da igreja (e do museu de arte sacra ao qual ela está vinculada) e presenciei a chegada de vários visitantes, muitos visivelmente interessados e até emocionados com o que encontravam. Pensei nos professores que iniciaram a mim e a tantos que ali chegavam na complexidade da arte e da religiosidade barrocas e senti que a educação é um roda que gira sem parar. Às vezes acerta, frequentemente erra, muitas vezes não gira no tempo certo, mas, seguramente, é o que nos transforma. O que ajudar a mudar o nosso jeito de ver e sentir e, muitas vezes, a sair do nosso restrito e banal cotidiano.

 
 

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