Cronistas do Diário: "Amassos", por Hugo Fontana - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião24/10/2016 | 20h37Atualizada em 24/10/2016 | 20h37

Cronistas do Diário: "Amassos", por Hugo Fontana

Cronistas do Diário: "Amassos", por Hugo Fontana Arte Rafael Guerra / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Arte Rafael Guerra / Agência RBS / Agência RBS
Hugo Antonio Fontana

hugofontanap@yahoo.com.br

"No seu tempo, as coisas eram melhores?". Essa é uma pergunta a ser ouvida depois de um certo período da vida. No meu caso, cedo. Com pouco mais de 20 anos, nunca com turmas menores do que 35, 40 adolescentes, lá estava, quase me confundindo com eles e, ao mesmo tempo, tendo que assumir uma postura de professor "adulto". "Não era melhor nem pior. Era diferente". Foi o clichê politicamente correto que assumi para fingir que eu era inteligente. Quase sempre colava.

O tempo passou, o clichê envelheceu, até que um aluno mais arguto, ou indiscreto, sei lá, depois de um "Para, professor", emendou: "Do que o senhor sente mais saudades?". Com todos os olhares da turma sobre mim, por ironia ou exibicionismo, fui curto e rasteiro: "Dos amassos". Todos pareceram rir com gosto.

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Hoje – sem turmas, nem ironia ou exibicionismo – ouvindo o Tavito (compositor mineiro que fez, junto com Zé Rodrix, a música Casa no Campo, imortalizada por Elis Regina) com sua Rua dos Ramalhetes, pensei na importância dos amassos para nós, os "sexygenários". Discussões de gênero à parte, logo após dançar e falar ao ouvido da guria, nada melhor que um tímido amasso em algum discreto escurinho. Uma rua sem saída, não mais do que 50 casas. Em cada casa, não menos do que três gurias. Uma fartura a ser considerada. Nas reuniões dançantes (espécies de saraus daquele tempo) na casa de alguma delas, sob olhar vigilante de pai, mãe e demais parentes, o coração disparado, a mão suada e uma quase intransponível dificuldade para perguntas simples, quase idiotas, do tipo "tens namorado?". Essa, dependendo da resposta, poderia ser a senha de abertura para futuros amassos.

"Muito prazer, vamos dançar que eu vou falar no seu ouvido coisas que vão fazer você tremer dentro do seu vestido. Vamos deixar tudo rolar; e o som dos Beatles na vitrola. Será que algum dia eles vêm aí, cantar as canções que a gente quer ouvir?". Isso é o que dá ouvir esse senhor quase calvo, de casaco de linho amassado, mas que, quando se presta atenção, sorri como um guri que morava numa rua sem saída, com não mais do que 50 casas, dentro de cada uma, não menos do que três gurias...

 
 

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