Cronistas do Diário: A reforma no Ensino Médio, por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião13/10/2016 | 07h18Atualizada em 13/10/2016 | 07h18

Cronistas do Diário: A reforma no Ensino Médio, por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: A reforma no Ensino Médio, por Vitor Biasoli Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

A reforma do Ensino Médio que o governo Temer anunciou para o próximo ano tem causado perplexidade. Entre outras coisas, porque fala em ¿incentivo ao ensino em tempo integral¿, proposta que é difícil de entender num quadro em que o governo se declara favorável a diminuir os gastos estatais (ver a PEC 241) e que, consequentemente, pouco favorece o investimento nas escolas públicas.

Afinal, o que o atual governo pretende? Ou assume a orientação do bem-estar social – conforme indicado na Constituição de 1988 – e encara o alto investimento que é a educação, ou endossa a orientação liberal – que encanta as forças políticas que tomaram o poder central –, enxuga os gastos públicos e se desobriga dessa ¿gastança¿ que é a ampliação da educação pública.

Tenho encontrado ex-alunos que hoje atuam no Ensino Médio e não percebo entusiasmo pela reforma. O entendimento é o de que o seu eixo é a flexibilização dos currículos, o encaminhamento da escola pública para a formação profissionalizante, em detrimento da formação geral, e o resto – o ensino em tempo integral, por exemplo –, apenas encenação. Bela encenação, por sinal, feita para embaralhar o jogo.

Seja para onde for o Ensino Médio, no entanto, há tendências entre o comportamento dos alunos que desconcertam os professores, sejam eles adeptos da formação profissionalizante ou geral. Tendências que demandam uma atenção especial, como é o caso da força poderosa que as novas tecnologias exercem sobre os estudantes.

– Em sala de aula, estou competindo com o celular – me disse um jovem professor, formado nos últimos dez anos e bem sintonizado com as novas mídias.

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Esse jovem professor tem utilizado filmes em suas aulas, mas com uma peculiaridade que bem demonstra que conhece o fôlego da gurizada: apenas trechos de filmes entre 8 a 10 minutos.

– Mais do que isso e já pipocam as telas luminosas dos smartphones na sala de aula – explicou o professor, pois a atenção dos estudantes não aguenta o foco num filme de duração padrão (entre 90 e 120 minutos).

– Jogo duro – concluiu outro jovem professor, que comentou que não basta ter ¿notório saber¿ para ministrar uma aula. – É preciso didática, muita didática. A juventude não está nem aí para o conhecimento. Ela precisa é ser conquistada por professores muito bem preparados pedagogicamente.

Como se vê, não tenho encontrado entusiasmo na propalada reforma de ensino. Mas tenho conversado com professores que não abaixam a guarda e seguem em frente. Professores que, antes de tudo, gostam da sua profissão.

 
 

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