Peça com Paulo Betti será encenada nesta terça e quarta-feira no Theatro Treze de Maio - Cultura e Lazer - Diário

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Intérprete de si mesmo26/09/2016 | 18h30Atualizada em 26/09/2016 | 19h51

Peça com Paulo Betti será encenada nesta terça e quarta-feira no Theatro Treze de Maio

Espetáculo "Autobiografia Autorizada" apresenta um mergulho nas memórias do experiente ator 

Peça com Paulo Betti será encenada nesta terça e quarta-feira no Theatro Treze de Maio Mauro Kury/Divulgação
Foto: Mauro Kury / Divulgação

O ator, por essência, é um colecionador de histórias. E foi buscando em suas memórias e manuscritos de infância e de adolescência, que Paulo Betti encontrou o impulso necessário para compor o espetáculo Autobiografia Autorizada. O monólogo será encenado nesta terça e quarta, às 20h, no Theatro Treze de Maio.

Do tempo humilde, em que ainda sonhava em gravar seu nome no rol dos grandes atores da dramaturgia brasileira, Paulo Betti buscou a inspiração que resultou nesse monólogo. Norteado por episódios testemunhados na infância, em sua maioria compilados de cadernos pessoais e anotações, o ator evoca a infância pobre na Vila Leão, antigo quilombo de Sorocaba, interior de São Paulo. Lá, enquanto ajudava a mãe, dona Adelaide, uma camponesa analfabeta, o caçula de 15 filhos se encantava com os programas de rádio. 

Também relembra o pai esquizofrênico, que era internado com dramáticas crises, a cada véspera de Natal. Passagens como essas, foram devidamente registradas pelo aspirante a ator, quando, com cerca de 30 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou anotar os diálogos ao telefone com a família, situações vivenciadas junto a vizinhos e conhecidos, a primeira visão do mar, dos brinquedos antigos, da forma como a avó matava porcos, e, até mesmo, sonhos recordados com precisão.

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Com o auxílio de fotos e documentos e sem qualquer preocupação com a linearidade, Betti vivencia em cena, como se fosse uma espécie de conversa informal, sua própria origem. Com direção cadenciada do próprio protagonista, ao lado de Rafael Ponzi, o monólogo estende-se por cerca de duas horas. E essa colcha de memórias surge emoldurada pela cenografia de Mana Bernardes, que transmite a ideia de memória, representada por papeis amassados, como se fossem folhas retiradas do caderno de anotações do ator.

Além de um lirismo nostálgico, a peça traz à tona um Brasil em transformação, que transita do rural ao industrial, passando por momentos extremamente relevantes da história recente, como a Ditadura Militar, abordada no trecho: "Um dia, roubei giz na sala de aula, as lousas eram pretas, hoje os quadros negros são verdes, quando mudou achávamos que era por causa da ditadura militar, que trocou os quadros de negros pra verdes pra imitar a farda do Exército".

Aos 64 anos, Betti é senhor do palco. Sozinho em cena, o ator coloca suas décadas de experiência na arte de interpretar a serviço da simplicidade. Enquanto parece querer se reencontrar com o menino de outros tempos, entrega a encenação mais autoral da carreira. Autobiografia Autorizada diverte e emociona na mesma medida em que mostra quão prazeroso e estimulante pode ser uma mergulho nas profundezas de nossas memórias.

Autobiografia Autorizada

Direção: Paulo Betti e Rafael Ponzi
Com: Paulo Betti
Quando: terça e quarta-feira, às 20h. Duração de 2 horas
Classificação: 12 anos
Onde: Theatro Treze de Maio (Praça Saldanha Marinho, s/nº). Fone: (55) 3028-0909
Quanto: R$ 40 (estudantes e idosos), R$ 60 (sócios do teatro, Clube do Assinante do Diário) e R$ 80 (público geral)

 
 

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