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Opinião21/09/2016 | 19h30Atualizada em 21/09/2016 | 19h30

"Os Senhores da Guerra"

"Tabajara se preocupa em filmar as histórias do Rio Grande gaudério"

"Os Senhores da Guerra" Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

No ano passado, o romancista e cineasta Tabajara Ruas trouxe o seu filme Os Senhores da Guerra a Santa Maria para uma sessão de pré-estreia. Na ocasião, perguntado a respeito de que tipo de filme fazia, Tabajara respondeu:

— Faço filme gaúcho.

É isso mesmo. Tabajara se preocupa em filmar as histórias do Rio Grande gaudério. Já fez filme ambientado no tempo da Revolução Farroupilha (Neto Perde sua Alma, em 2001) e nesse último filme — por hora em cartaz na cidade — enfoca os tempos conturbados das lutas político-militares entre chimangos e maragatos. Trama ambientada na década de 1920 — em especial no ano de 1924, logo após a Guerra Civil de 1923 —, o filme é imperdível para quem se interessa pelas coisas do Rio Grande. Sabemos muito a respeito da Conquista do Oeste, da Guerra de Secessão — temas caros à cinematografia norte-americana — e muito pouco a respeito de nossas lutas e conquistas, igualmente capazes de comportar uma pegada épica no cinema.

Assisti ao filme na sessão especial no ano passado, fui revê-lo dias atrás e gostei do mesmo jeito. Tabajara se baseou na minuciosa pesquisa de José Antônio Severo a respeito dos irmãos Júlio e Carlos Bozano, e soube extrair da sua obra um roteiro espetacular, enfatizando o conflito entre dois irmãos que se colocam em campos opostos da luta político-militar da época. Não faltam informações históricas para situar o espectador no complexo contexto histórico — positivistas no governo do Estado, maragatos liberais na oposição, mais militares do Exército em combate contra o governo federal e as oligarquias em geral —, mas são as escolhas e lealdades dos dois irmãos que constituem o eixo da narrativa. Irmãos capazes de se encontrarem armados em campos opostos no campo de batalha, mas incapazes de quebrarem os vínculos de sangue.

Filme gaúcho, como bem pretendeu o seu diretor, para nos suprir de narrativas fílmicas a respeito dos dramas sul-rio-grandenses com suas revoltas e bravuras, escolhas e disputas político-militares, assim como a sempre presente traição, uma das matérias-primas da vida, dos amores e da política.

 

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