Cronistas do Diário: Os ritmos do mundo, por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião01/09/2016 | 07h01Atualizada em 01/09/2016 | 07h01

Cronistas do Diário: Os ritmos do mundo, por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: Os ritmos do mundo, por Vitor Biasoli Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

O rito é fundamental. O rito, com suas vestes, gestualidades e palavras adequadas. Não cumprindo o scritpt dessas formalidades, o sujeito corre o risco de apanhar nos dedos. Isso eu comecei a aprender em 1978.

Naquela época, eu recém me formara e fui lecionar num cursinho para jovens adultos. O diretor não falou em assinar carteira, mas eu achei que era questão de tempo. Peguei os polígrafos que ele me entregou e só pensei em preparar as aulas. Mas não completou um mês de trabalho, o diretor me chamou e me demitiu. Não disse que minhas aulas eram ruins, falou apenas que a professora da disciplina estava de volta e iria reassumir o cargo. Soube, logo depois, que ela fizera uma viagem ao Nordeste com o marido e não quisera apressar o regresso.

Saí do cursinho desenxabido e encontrei um amigo que iniciava carreira de advogado. Contei meu pequeno drama e ele falou:

– Tudo errado, contratação e dispensa fora da lei. Tu entras na Justiça do Trabalho e ganhas na hora. Dá pra comprar uns livros – ele arrematou.

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Entramos na Justiça e, no dia da audiência, o meu amigo advogado vestia terno e gravata.

– Pra marcar presença – ele acrescentou.

O diretor do cursinho chegou sem advogado e a sessão começou com o juiz de cara amarrada.

– Ele não gostou do sujeito vir sem advogado – me explicou o meu amigo.

O dono do cursinho pigarreou e se preparou para uma longa arenga.

– Seu "meretríssimo" – ele falou.

A reação do juiz foi na hora e meu amigo me deu um cotuvelaço:

– Ganhamos – ele disse.

Visivelmente irritado, o juiz interrompeu a fala do diretor do cursinho e falou que fossemos direto ao ponto:

– Vamos tratar do que podemos acordar.

Meu amigo falou rapidamente, o juiz apressou a negociação e nem dez minutos depois a sessão estava encerrada. Éramos guris entre 22 e 24 anos, e não sabíamos que estávamos sendo treinados nos ritmos do mundo.

Na saída do tribunal, meu amigo comentou:

– O cara tropeçou na língua portuguesa e levou. Ponto para nós. Foi vitória no primeiro round!

 
 

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