Cronistas do Diário: O que nos espera, por Marcelo Canellas - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião03/09/2016 | 07h02Atualizada em 03/09/2016 | 07h03

Cronistas do Diário: O que nos espera, por Marcelo Canellas

Cronistas do Diário: Gafe olímpica, por Marcelo Canellas Reprodução/Reprodução

Eu me divirto aqui neste espaço. Fico tão à vontade escrevendo crônica que, às vezes, esqueço que isto pode ser lido por alguém. De vez em quando um leitor me manda um e-mail comentando algum ponto de vista meu, e aí me dou conta de que o sujeito leu mesmo o que escrevi, o que me deixa tremendamente lisonjeado. Mas também um pouco preocupado. É que me bate um certo senso de responsabilidade, e vou correndo reler o que saiu de minha própria lavra pra ver se não exagerei na quantidade de bobagens.

Ao menos tento me expressar com clareza. Acho que às vezes consigo, a julgar pelo e-mail que recebi ontem. O senhor Antônio Carlos quis saber, ¿muito embora o distinto cronista seja um homem de esquerda¿, se eu vejo alguma esperança de o país melhorar com a deposição de Dilma Rousseff e assunção definitiva de Michel Temer ao poder.

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Este meu leitor realmente me lê. Sabe de minhas convicções de esquerda, alinhadas à definição clássica formulada por Norberto Bobbio, centrada no conceito de igualdade e baseada numa divergência teórica fundamental: a esquerda considera que a maior parte das desigualdades é social e, portanto, eliminável; a direita acredita que a maior parte delas é natural e, portanto, dá pra fazer um ajuste aqui, uma reforminha ali, mas eliminar a desigualdade não dá.

Sei que isso dá muito pano pra manga, e já teve até leitor me mandando pegar um avião pra Cuba junto com o Chico Buarque. Ainda que eu não tenha nenhuma ligação com o PT, vivo sendo xingado de petista. Não ligo. Embora não tenha votado em Dilma, embora tenha achado o governo dela ruim, isso não me faz vê-la como criminosa. Ruindade não é crime. Numa democracia, a mediocridade deve ser derrotada na urna. Por isso o governo Temer, a meu ver, é ilegítimo.

Lamento levar a Antônio Carlos a minha desesperança. Mas é isso que me vem ao contemplar a fotografia do ministério Temer, repleto de enrolados com a Lava Jato, sem um único negro, sem uma única mulher. Pode ocorrer que um governo ilegítimo seja bom para os pobres como, em certo sentido, chegou a ser o de Getúlio um dia. Mas, meu caro Antônio Carlos, se Dilma tinha más companhias, os grilos falantes de Temer são Romero Jucá, Renan Calheiros e Eduardo Cunha. Boa coisa daí não virá. Cuidemos de enfrentar nossas desgraças miúdas, de respirar fundo e arranjar coragem para seguir em frente. E torcer para que dois anos passem voando.

 

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