Cronistas do Diário: Geraldo Vandré, por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião15/09/2016 | 06h55Atualizada em 15/09/2016 | 06h54

Cronistas do Diário: Geraldo Vandré, por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: Geraldo Vandré, por Vitor Biasoli Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução

O cantor Geraldo Vandré completou 81 anos, lembrou o jornalista Armando Coelho Neto no jornal online GGN. Geraldo Vandré, para quem não sabe, é o autor de Pra Não Dizer que Não Falei das Flores, canção que ele próprio defendeu no Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, em 1968. A canção se tornou ¿o hino contra a ditadura militar¿, e, com a promulgação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), foi podada pela censura. Mesmo proibida, não deixou de ser cantada por estudantes – mas não em público, ¿porque aí chamava a atenção e dava brecha para a repressão¿.

A primeira vez que a escutei num espaço público ocorreu nas manifestações estudantis na UFRGS, em 1977. Como era uma canção que simbolizava um tipo de enfrentamento ao regime militar, houve o receio de que, com a volta da canção, fossem retomadas as mesmas discussões do final dos anos 60 (as do enfrentamento armado). Mas, felizmente, isso não aconteceu, e a canção apenas passou a simbolizar ¿a luta pelas liberdades democráticas¿ e, como tal, incorporada ao repertório da cantora Simone. Uma canção que merece um capítulo à parte na história da cultura brasileira.

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Perseguido como elemento ¿aglutinador dos opositores¿, Vandré partiu para o exílio após o AI-5 e voltou em agosto de 1973, quando deu uma entrevista ao Jornal Nacionale se disse ¿arrependido¿ pelo impacto que causara com seu ativismo musical. A partir daí, isolou-se e praticamente desapareceu do cenário artístico.

Geraldo Vandré bem pode ser considerado uma dessas figuras que o regime militar soube ¿descaroçar¿. Numa entrevista concedida em 2012 (que pode ser encontrada no YouTube), ele surge como um homem amargurado, que se aparta do mundo e se nega a refletir sobre o papel político-cultural que representou nos anos 60. Um homem atormentado, arrisco dizer, muito distante do ousado compositor de Disparada, outra das suas canções de sucesso, que a gurizada de colégio marista, como eu, aprendia a cantar nas aulas de religião. Aprendia a cantar e a fazer-se cavaleiro ¿de laço firme e braço forte / num reino que não tem rei¿. 

 
 

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