Cronistas do Diário: A grande pergunta, por Orlando Fonseca - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião06/09/2016 | 07h14Atualizada em 06/09/2016 | 07h14

Cronistas do Diário: A grande pergunta, por Orlando Fonseca

Cronistas do Diário: A grande pergunta, por Orlando Fonseca Reprodução/Reprodução
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De tempos em tempos somos obrigados a nos fazer a grande pergunta: Que país é este? Premidos pelas circunstâncias, pressionados pela conjuntura, perplexos com o que fazem em nome da república, um de nós se ergue e brada contrariado ou constrangido: Que país é este? Na década de setenta, Francelino Pereira, defendendo o poder da ditadura; depois o poeta Affonso Romano de Santanna, contrapondo, e ainda o compositor Renato Russo, em nome de uma legião urbana, vivendo as expectativas da redemocratização. A conjuntura nacional, em plena Semana da Pátria, estimula outra vez o espírito indagador.

A questão perdura desde o descobrimento, no Pindorama, Terra Brasilis, em Tupi-guarani, diante dos negócios que acabaram com nossa primeira matéria prima: a madeira pau-brasil. Vem daí um nome diverso dos gentílicos comuns da língua: brasileiro, o que indica uma profissão, a qual acabou como identidade nacional. Como assim? No período após a independência em 1822, os românticos se perguntavam se somos mais americanos que europeus, mais índios que caucasianos. José de Alencar talvez seja o mais antigo perguntador, secundado pelo grande Machado de Assis, ao desenvolver a tese do instinto de nacionalidade. Um século depois, os modernistas recuperaram o questionamento e o Mario de Andrade nos legou o símbolo de Macunaína, um herói sem caráter, o que equivale a dizer sem identidade fixa.

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Ao longo dos diferentes ciclos de crise da nossa república, virou palavra de ordem na mobilização popular. Com o movimento das Diretas Já, conquistamos o direito de escolher nossos representantes, porém tudo veio desembocar nas patéticas votações pelo impeachment no Congresso. Não tanto pelo resultado, mas pelas justificativas verbalizadas, na cara dura, pelos congressistas. ¿Nas favelas, no senado/ Sujeira pra todo lado/ Ninguém respeita a constituição/ Mas todos acreditam no futuro da nação¿. Mais do que perguntar, é preciso crer.

Talvez seja a nossa sina jamais encontrarmos a resposta. Talvez o Brasil seja isso mesmo, um lugar em que seus habitantes, por gerações, devem exercer o trabalho de buscá-la. Isso é ser brasileiro, profissão de fé. Talvez não haja uma, mas várias respostas, o que significa ser necessário multiplicar os perguntadores. Um país com as dimensões e as potencialidades do nosso não pode se perder porque um grupo se arvora ao direito de impor a sua. Para isso, fico com a posição do poeta Affonso Romano: ¿A pergunta é histórica. A resposta é coletiva¿.


 

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