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Opinião13/08/2016 | 06h31Atualizada em 13/08/2016 | 06h31

Pai com chocolate é melhor

"E ele, com dificuldade, falou: "hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher!"

Pai com chocolate é melhor Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução
José Otávio Binato

josebinato@terra.com.br

Vou contar uma história de meu pai. Quando criança, sempre recebi, na Páscoa, uma cesta com chocolate de tamanho pequeno, pois minha mãe sempre foi econômica. Acontece que meu pai comprava, escondido, mais chocolates e ficava repondo os doces por meses. Feliz era eu, que não entendia, mas me tornava cúmplice da sua traquinagem. Era uma das tantas maneiras que meu pai encontrou para me dizer que me amava. Anos mais tarde, fui visitar meus dois filhos na fazenda de meus avós. Iria passar a tarde com eles. Lembrei que poderia comprar alguns doces, mas estava atrasado, queria chegar logo para vê-los. Mal andei alguns metros na saída da cidade, lembrei meu pai. Meus pensamentos viajaram pela minha memória, e logo veio à minha mente: "pai é bom, mas pai com chocolate é muito melhor". Voltei e, com um saco de guloseimas, materializei o meu amor por eles.

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Quando eu tinha 18 anos (e recém havia conquistado minha carteira de motorista), meu pai costumava ir aos jantares do Lions Clube Centro, aos sábados. Meus primos e eu ficávamos na expectativa de, nessas noites, poder pegar a Rural verde abacate dele para darmos umas bandas pela cidade. Meu pai voltava a pé ou de carona. Nunca nos deixou na mão. Ficava feliz por que estávamos nos divertindo. Confiava em nós.

Quando somos jovens, se nossos pais nos abraçam na rua, sentimos como se estivéssemos pagando um mico. Fugimos das suas demonstrações de carinho, de amor. Pois bem, o Waldemar, meu pai, adorava me abraçar em plena rua. Fazia carinho com as duas mãos em meu rosto. E eu acabei por aceitar sua forma de demonstrar o quanto eu era importante para ele.

O cigarro destruiu meu pai. Nos seus últimos três anos de vida, usou oxigênio 24 horas e, qual um cachorro atado a uma corda, foi definhando. Nunca perdeu o humor e o amor por nós. Ele partiu em 10 de março de 1996, após três crises respiratórias graves. Na primeira, de madrugada, após fazermos as medicações, ele, que mal podia falar, fez um esforço e disse para minha mãe, Cecy, em uma frase entrecortada pela falta de ar: "parabéns pelo dia de hoje!". Sem entender, perguntamos: "por quê?". E ele, com dificuldade, falou: "hoje é 8 de março, Dia Internacional da Mulher!". Desabamos, minha mãe e eu. Até hoje, lembro do meu querido pai, Waldemar! E pedimos, eu e minha irmã Neca, que os anjos possam abraçá-lo espiritualmente. Onde estiveres, Waldemar, recebe o nosso amor!

 
 

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