"Liberdade, liberdade": mais um acerto da Globo na faixa das 23h  - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião05/08/2016 | 01h23Atualizada em 05/08/2016 | 11h04

"Liberdade, liberdade": mais um acerto da Globo na faixa das 23h 

Estrelada por Andreia Horta, novela de Mário Teixeira chegou ao fim nesta quinta-feira 

"Liberdade, liberdade": mais um acerto da Globo na faixa das 23h  João Miguel Júnior/TV Globo/Divulgação
Foto: João Miguel Júnior / TV Globo/Divulgação

À beira da forca, Joaquina desafiou à Coroa Portuguesa ao bradar "liberdade, liberdade" e viu suas palavras ecoarem na voz da multidão que aguardava pela sua morte. A cena, em um dos momentos finais da novela Liberdade, liberdade, exibida na noite desta quinta-feira, serviu para coroar o trabalho de Andreia Horta à frente da trama das 23h. A obra terminou em alta, batendo recorde nos índices de audiência, com ineditismos e provando que a faixa é a mais bem-sucedida cartada da Globo em teledramaturgia nos últimos anos.

Baseada na Inconfidência Mineira, Liberdade, liberdade deixou a história apenas como pano de fundo para falar sobre valores e dilemas humanos. Atual, o roteiro explorou temas como igualdade social, de gênero e de raça. Mário Teixeira assumiu a novela com a obra já em andamento — a direção da emissora deu a ele a missão após reprovar o trabalho que vinha sendo feito por Márcia Prates, a autora original. Mas isso não foi um impeditivo para o autor explorar questões importantes para a sociedade brasileira contemporânea, e até mesmo polêmicas, com ousadia. A trama começou lenta e foi aumentando seu ritmo e tensão com o andar dos capítulos, chegando a exibir a primeira cena de sexo entre homens da TV brasileira e a deslizar para a violência cruel em seus últimos capítulos. Sequência permitidas em virtude do horário avançado, que garante à produção maior liberdade.

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A direção de Vinicius Coimbra foi um fator preponderante para o sucesso da novela. Ele acertou no tom da fotografia — escurecido para ressaltar a aparência encardida de cenário e figurinos — e na caracterização com maquiagem com toque realista dos personagens — os atores ganharam dentes amarelados, rosto empoeirado, pêlos pelo corpo, unhas sujas e suor. Tudo isso, conferiu realismo à produção de época.

Além disso, o elenco foi outro ponto forte da novela. De Mateus Solano, em mais um vilão irretocável, à Lília Cabral, como a destemida Virgínia, passando por Marco Ricca, como o bandoleiro Mão de Luva, em seu melhor papel na TV. Sem esquecer de Maitê Proença, como a sofrida Dionísia, Caio Blat e Ricardo Pereira, como os amantes André (sensível e justo) e Tolentino (durão e inescrupuloso). E teve ainda Nathalia Dill, como a aloucada vilã Branca, enfim mostrando consistência em seu trabalho.

Todos eles somados à Andreia, que comprovou seu talento como a heroína à frente de seu tempo, Joaquina. A jovem filha de Tiradentes, uma personagem real mas com trama fictícia na história de Teixeira — já que pouco se sabe sobre sua vida. Com sua defesa pela igualdade, Joaquina poderia ser qualquer uma das jovens que hoje saem às ruas para defender os direitos da mulher, ainda conseguiu deixar uma mensagem final forte e relevante: ¿só se é feliz quando se é livre¿.

Liberdade, liberdade foi mais uma demonstração de que novela brasileira ainda pode ser ousada, atual e relevante. Foi mais uma prova de que é na faixa das 23h que estão as melhores produções da Globo hoje. E mais um caso em que crítica e público estiveram em sintonia.

 

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