Filme "Campo grande" narra jornada de crianças abandonadas no Rio - Cultura e Lazer - Diário

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Crítica04/08/2016 | 13h17Atualizada em 05/08/2016 | 12h04

Filme "Campo grande" narra jornada de crianças abandonadas no Rio

Destaque de safra sobre o choque entre as classes sociais no Brasil atual, filme de Sandra Kogut estreia nesta quinta-feira em Porto Alegre

Filme "Campo grande" narra jornada de crianças abandonadas no Rio Imovision/Divulgação
Alice Ribas tem grande atuação em "Campo grande" Foto: Imovision / Divulgação

O cinema brasileiro atual tem encontrado alguns de seus melhores momentos no exame do choque cultural e comportamental entre as diferentes classes sociais que convivem nas grandes cidades do país. Que horas ela volta? (2015) é um dos expoentes dessa onda de filmes que tem ganhado força desde, pelo menos, O som ao redor (2012).

É uma pena que Campo grande (2015), um dos títulos mais interessantes dessa leva, estreie em Porto Alegre com algum atraso, na comparação com sua chegada às salas de outras capitais, e – pior ainda – em uma única sessão, às 17h, na Sala Eduardo Hirtz da Casa de Cultura Mario Quintana. Isso na mesma semana em que um bomba como Esquadrão suicida ocupa dezenas de horários de 28 salas da cidade.

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Campo grande narra o encontro de uma mulher divorciada da zona sul do Rio (Carla Ribas, em atuação tão iluminada quanto a que entregou em A casa de Alice, de 2007) com duas crianças abandonadas à porta de seu prédio (Ygor Manoel e Rayane do Amaral). Ao que tudo indica, ela guarda uma relação com os pequenos: eles foram deixados com um bilhete no qual se lê nome e endereço da mulher. Mas não sabe quem são – a mãe deles se chama Ana e vive no bairro Campo Grande, e é só isso que os dois conseguem informar.

A diretora Sandra Kogut já havia demonstrado talento na direção de atores mirins em Mutum (2007). Agora, além de extrair ótimas performances do elenco, conduz com mão segura um drama repleto de guinadas marcantes e detalhes pertinentes, que vão sendo entregues paulatinamente ao espectador.

Alguns desses detalhes dizem respeito à relação da protagonista com a filha
(Julia Bernat), que está saindo de casa, outras à forma como todo o mundo em cena, da Zona Sul e da Zona Oeste (onde fica Campo Grande), é afetado pelas mudanças no cenário urbano. Construções, demolições, desapropriações: o Rio visto no filme vive uma transformação tão marcante que parece um lugar em busca da própria identidade. Tal qual seus filhos abandonados.

Entre o recente Casa grande (2014) e o clássico Pixote, a lei do mais fraco (1981), Campo grande guarda relação íntima com outro bom título brasileiro em cartaz: Mãe só há uma (2016), dirigido pela mesma Anna Muylaert de Que horas ela volta?. Um diferencial seu é que, no longa de Sandra Kogut, a aproximação entre as crianças e a "segunda mãe" se desenvolve de maneira nem um pouco óbvia.

Não poderia haver soluções fáceis em um encontro no qual um lado (a mulher) está separado do outro (os pequenos) por um abismo – escancarado quando ela visita o "ambiente natural" deles, e vice-versa. Sem concessões, Campo grande reproduz na tela a complexidade com que se estabelecem certas relações sociais no Brasil atual.

CAMPO GRANDE
De Sandra Kogut.
Drama, Brasil, 2015, 118min.
Em cartaz em Porto Alegre na Sala Eduardo Hirtz da Cinemateca Paulo Amorim, na Casa de Cultura Mario Quintana.
Cotação: muito bom.

 

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