Cronistas do Diário: Sua ONG pessoal, por Jumaida Rosito - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião05/08/2016 | 07h04Atualizada em 05/08/2016 | 07h05

Cronistas do Diário: Sua ONG pessoal, por Jumaida Rosito

Cronistas do Diário: Sua ONG pessoal, por Jumaida Rosito Arte DSM/
Foto: Arte DSM

Cada um de nós tem sua escala de sensibilidades, nada de errado com isso, já que a diversidade de emoções é desejável. Assim, temos pessoas que se comovem com os animais – bichos que voam, rastejam, nadam, perambulam, os selvagens ou aquerenciados. Tem gente que defende gente que mora nas ruas, ou doentes e desvalidos, crianças e velhos desassistidos, talvez, os fugitivos das guerras burras. Alguns seres humanos são dedicados às águas – aquelas que caem, correm ou escorrem, salgadas ou doces, os lagos, lagoas e lagunas, águas que matam a sede do planeta. Outros defendem o verde – seja ele das florestas, verde das matas, dos matos, ou o que oxigena todas aquelas águas. Pessoas impetuosas vão direto ao ponto e erguem a bandeira do meio ambiente – então, brigam por bichos, gente, água e verde, tudo ao mesmo tempo.

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Quando essas sensibilidades já não cabem na nossa configuração do dia a dia, nascem os voluntários, e todos somos beneficiados pelo trabalho dessas pessoas. Independentemente do interesse, o importante é lembrar que uma sensibilidade não exclui a outra. Quem se comove com bebês desabrigados pode ter compromisso com os cães de rua, ou com a flora do continente. Inicialmente associado a organizações religiosas e étnicas, o voluntariado ainda é fortemente relacionado à ideia de caridade. Talvez por isso, percebo que até mesmo nesse movimento existem apartes, como se os colaboradores das causas não humanitárias formassem um grupo menos nobre.

Conheço devotados defensores da vida animal rotulados de radicais e alienados por seus colegas com interesses humanísticos, mas não lembro de um ativista ambiental, por exemplo, discutindo o valor do trabalho assistencial. Não seria isso uma manifestação da nossa vaidade antropocêntrica? No frigir dos ovos, não é questão de conferir grau de importância a um urso ou a um rio. Estamos todos, intrigantemente conectados, porque tecemos juntos a nobilíssima trama dos nossos enredos, e, quem mexe com um, mexe com todos. Embora sejam dados difíceis de serem computados, leio que o Brasil está abaixo da média mundial em número de pessoas envolvidas nas atividades assistenciais. Ainda há lugar para todos, e todos os de boa vontade têm seu lugar. Pondero, carinhosamente, que não há razão para patrulhamentos. A cada qual sua luta!

Quem está sem vocação ou tempo pode ajudar de casa, porque existe o voluntariado a distância. Informe-se, em algum momento, sobre o volunturismo, é surpreendente! Mas, para quem ainda não se sente chamado, sem problemas, sugiro o cuidado com seus amores – doar paciência e delicadeza para os que são de casa é das coisas mais difíceis de se fazer; ao contrário, temos um certo pudor em mostrar aos estranhos próximos as garrinhas do mau humor e da desatenção. A certeza do afeto dos nossos é uma espécie de ¿fator de descuido¿. Finalmente, se nenhuma dessas causas chamar sua atenção, faça de sua reforma interior uma ONG pessoal. Duvido que essa demanda já esteja vencida, sempre há o que fazer. O mundo inteiro agradece e se harmoniza.

 

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