Cronistas do Diário: Professores e meritocracia, por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião04/08/2016 | 07h06Atualizada em 04/08/2016 | 07h06

Cronistas do Diário: Professores e meritocracia, por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: Professores e meritocracia, por Vitor Biasoli Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

Segundo dados do IBGE (2013), o salário médio dos trabalhadores brasileiros com diploma de nível superior é de R$ 4.726. Os professores das redes públicas estaduais, porém, com a mesma qualificação profissional, recebem apenas 57% disso.

Mesmo com esse quadro, o economista Cláudio de Moura Castro consegue argumentar que os salários dos professores não são ruins, como fez em artigo na revista Veja na semana passada. Segundo a sua ótica, considerada a remuneração por hora, mais as características próprias da profissão (férias de 45 dias, licença-prêmio, licença para pós-graduação e aposentadorias de 25 anos para mulheres e 30 para homens), os professores de escola não ganham mal. Ele ainda faz uma leitura particular dos dados estatísticos internacionais e conclui que os salários não estão muito abaixo da média dos países ricos. Uma leitura muito distinta da que os dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam.

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Incomodar professores, no entanto, é uma das especialidades desse articulista. Tripudiar dos salários do magistério parece ser uma estratégia para vender a ideia da meritocracia, que ele entende ser a solução para o funcionamento da economia e da sociedade em geral, as escolas e a educação incluídas. Igualdade salarial entre desiguais – entre os professores ótimos e os péssimos, como ele exemplifica – é algo deplorável. Para o articulista, se os bons professores se queixam dos salários é porque aceitam essa forma igualitária de estabelecer a remuneração.

A solução é estabelecer novas regras, com mensuração dos esforços individuais, dos resultados em sala de aula, e deixar de bater na porta dos sindicatos e fazer reivindicações coletivas. Um entendimento do mundo que está longe do que predomina entre o professorado, como bem indicaram as reações que o artigo provocou nas redes sociais. Um debate cada vez mais intenso que sinaliza o avanço neoliberal e o inevitável confronto com outras formas de pensar a sociedade, a economia e o Estado.

O articulista é um militante da causa liberal, esgrima suas ideias com habilidades de polemista e sabe exasperar seus adversários. Entre os que não comungam com o seu ideário – para os quais a igualdade é um valor fundamental para estruturar uma sociedade justa –, há o entendimento de que, se a meritocracia fosse implantada nas escolas, teríamos uma educação bem mais compartimentada, individualista e tecnicista daquela que já existe. Disputa para mais de metro, como se diz, que não vai se esgotar tão cedo.

 

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