Cronistas do Diário: O mundo em que vivemos, por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião11/08/2016 | 07h00Atualizada em 11/08/2016 | 07h01

Cronistas do Diário: O mundo em que vivemos, por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: O mundo em que vivemos, por Vitor Biasoli Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

Também fui ginasiano na década de 1960, prezado Hugo Fontana, e conheci o Compêndio de História Geral, de Borges Hermida, como comentaste na crônica desta semana, ¿A história que sabemos¿. Procurei o livro aqui em casa (já fiz coleção de livros didáticos), mas não encontrei. Achei o História Geral, do Souto Maior (também publicado pela Companhia Editora Nacional) e passei a folheá-lo.

Na mesma linha do Borges Hermida, Souto Maior endossa uma abordagem eurocêntrica e colonialista da história. E, ao dizer ¿eurocêntrica¿, leia-se ¿Europa Ocidental, excluída a Península Ibérica¿. A Europa Ocidental como eixo do mundo civilizado e, a partir daí, a plena justificação das ações coloniais e imperialistas das potências europeias e dos Estados Unidos. Na contrapartida, breves referências às lutas de libertação nacional na Ásia e na África (a chamada descolonização) após a Segunda Guerra Mundial.

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Mas, nem por isso, penso eu, livros sem importância e/ou equivocados. Pelo contrário, fundamentais na nossa formação na medida em que foram nessas obras que vislumbramos o mundo – mesmo que não tenham dado o devido destaque às realizações do Império Árabe, como bem apontaste. Na obra do Souto Maior, no entanto, é assinalado que a cultura da Idade Média Ocidental ¿se desenvolveu à sombra da civilização islâmica¿. E foi nesse livro, provavelmente, que, pela primeira vez, vi uma foto do palácio dos reis mouros em Granada, a Allhambra, na Espanha. Uma obra magnífica, que visitei tempos atrás.

Fui desses ginasianos, então, que leu e releu Souto Maior. Décadas depois, mesmo tendo assimilado outras abordagens da história, críticas em relação ao eurocentrismo e ao colonialismo, ainda folheio essas páginas com entusiasmo. Afinal, a Europa Ocidental é a nossa grande matriz civilizatória – com a inclusão da Península Ibérica, claro – e foi nesse livro que me iniciei no seu conhecimento. Uma Europa cristã, plena de atrocidades e grandezas, como o horror da Inquisição e a beleza sublime das telas de Murillo (os quadros dedicados a Virgem Maria especialmente). Uma Europa burguesa, que estabeleceu o predomínio da lógica do capital com suas grandes realizações industriais e comerciais, assim como seus desdobramentos de pobreza e miséria.

Um mundo de horrores e belezas, este que vivemos. Depois de ler a crônica do colega, abri o Souto Maior dos meus tempos de Ginásio e constatei: nessas páginas aprendi a respeito do legado do mundo greco-romano, das realizações artísticas do Renascimento, dos feitos revolucionários das forças liberais e democráticas, assim como da capacidade de destruição e morte dos exércitos modernos (como, exemplarmente, as guerras de 1914 e 1939 demonstraram). Não é pouca coisa. Foi o meu ABC das grandezas e perversidades da civilização que informa o mundo onde vivo. O mundo do qual faço parte e em relação ao qual tanto sinto admiração quando repulsa.

 
 

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