Cronistas do Diário: Nó suíno, por Orlando Fonseca                           - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião16/08/2016 | 06h15Atualizada em 16/08/2016 | 06h15

Cronistas do Diário: Nó suíno, por Orlando Fonseca                          

                 

Foto: Reprodução / Reprodução

Atoraram o hino nacional nas execuções dos Jogos Olímpicos. Tudo para respeitar o tempo protocolar de 1min15s exigido pelo COI. Só que o procedimento não respeita o que diz a lei brasileira sobre os seus símbolos nacionais. O fato gerou tanta confusão entre atletas e torcedores – nacionalistas por razões verde-amarelas, antinacionalistas para meter o pau na organização –, que o COB solicitou o retorno da forma usual. De qualquer modo, o hino não será tocado integralmente, mas retira a confusa gambiarra com a colagem da parte inicial com a parte final da última estrofe.

A conjuntura em nosso país está tão esquisita que a mexida no hino me pareceu mais do que uma mera coincidência. Teorias da conspiração à parte, e levando a crônica ao seu nível delirante, basta dar uma olhadinha no que foi cortado do hino nacional. Está cifrado ali o mau agouro de nuvens carregadas no horizonte pátrio. Os raios fúlgidos do sol da liberdade ainda estão preservados, mas o que se anuncia não é tempo bom. No título, coloquei, de caso pensado, aquele cacófato no anúncio do ¿nosso hino¿: tem espírito de porco na jogada.

Levaram na maior ¿o penhor dessa igualdade¿, ¿a liberdade¿, ¿o sonho intenso¿, a ¿esperança¿ e até o ¿futuro¿. Quando digo que algo foi feito deliberadamente, me refiro a coisas como a repressão à livre manifestação – prevista pela Constituição, fadada a ser desrespeitada mesmo – e foi-se a liberdade no próprio ambiente olímpico. Até mesmo o ¿verde-louro dessa flâmula¿ foi restringido pelas regras do COI. E a tal da soberania dos povos pelo bem da paz? Não esqueçamos que o ¿impávido colosso¿ também foi suprimido.

Na verdade, a prosperar as manobras que derrubam uns e preservam outros na esfera do poder, a esperança, que já venceu o medo no passado, agora é posta em stand by. Com a venda das nossas riquezas do pré-sal, veremos um pigmeu no lugar do ¿gigante pela própria natureza¿. E a partir dessa constatação, o futuro que espelhava esta grandeza ficará comprometido com a falta dos royalties do petróleo. Nossa relação com o continente nos tira a condição de ¿florão da América¿, com uma diplomacia que vira as costas para o Mercosul. Estaremos nos bosques sem cachorro, e a nossa vida sem mais amores, nestes tempos de ódio pelo antagonismo ideológico.

Ainda bem que ficou preservada a estrofe final: ¿Mas, se ergues da justiça a clava forte/Verás que um filho teu não foge à luta¿. Por via das dúvidas, é bom fazer coro e reativar aquele brado retumbante que já fez mais pela nossa Mãe Gentil.

 

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