Cronistas do Diário: Gafe olímpica, por Marcelo Canellas - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião20/08/2016 | 07h21Atualizada em 20/08/2016 | 07h22

Cronistas do Diário: Gafe olímpica, por Marcelo Canellas

Cronistas do Diário: Gafe olímpica, por Marcelo Canellas Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução

Dos 42 esportes olímpicos em disputa na Rio 2016, o que mais me intriga é o golfe. Eu sei que gosto não se discute, mas minha cultura futebolística de torcedor não se adapta a um jogo em que você passa quatro dias vendo atletas vestidos como almofadinhas tentando acertar uma bolinha num buraco. Um não, são 18 os buracos do golfe. Os competidores têm de acertar todos eles com o menor número possível de tacadas. 

O que, na minha ignorante opinião, tira um pouco da monotonia desse esporte são os obstáculos do circuito. Um campo de golfe tem sempre pequenos lagos, colinas, depressões e barrancos por onde a bolinha tem de cruzar em tacadas de longa distância. Mas, pelo menos, na parte da competição que eu assisti, o que deu, de fato, alguma emoção ao jogo, foi o comportamento de espectadores neófitos como eu.

Como a área é muito grande, são 970 mil metros quadrados, o público fica circulando a pé pelas margens do circuito. Têm umas cordinhas delimitando o acesso do público, mas não é incomum ver alguém desavisado andar onde não deve. Uma senhora, trazendo um poodle numa coleira, causou o maior alvoroço ao passear com o bicho, tranquilamente, perto do buraco onde o americano Matt Kuchar, que viria a ganhar a medalha de bronze, tentava acertar sua bolinha.

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Eu não sei por que as velhinhas gostam tanto de campos de golfe, mas o fato é que o jogo teve de ser interrompido de novo quando outra senhora, provavelmente cansada de andar sob o sol forte do descampado, resolveu sentar em um barranco e balançar as pernas. Enquanto um irritado golfista suíço aguardava, um batalhão de voluntários partiu em desabalada carreira para retirá-la.

Não a culpe, leitor. Pode acontecer com qualquer um. Eu li as regras e me informei satisfatoriamente para não fazer besteira. Mesmo assim fiz. Eu sabia que a bolinha pode ser alçada para fora da área do circuito, e que mesmo assim a jogada vale. Não se pode tocá-la. Mas foi mais forte do que eu. 

Quando vi, no meio da estrada, uma bolinha branca tão bonitinha, cheia de alvéolos, não resisti e me abaixei para apanhá-la. Quase fui linchado por uma multidão de aficionados enfurecidos.

Quando vi na televisão, que uma mulher fez o mesmo que eu, logo perto do desfecho da grande final, com a bolinha do golfista que ganhou a medalha de ouro, o britânico Justin Rose, senti um alívio imenso por minha gafe ter sido com um golfista retardatário e sem chances de vitória, pouco afortunado pelo interesse das câmeras. Pior do que mico ao vivo, via satélite, só mesmo aguentar um jogo tão chato.

 
 

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