Cronistas do Diário: Estação ferroviária, por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião18/08/2016 | 06h55Atualizada em 18/08/2016 | 06h56

Cronistas do Diário: Estação ferroviária, por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: Estação ferroviária, por Vitor Biasoli Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

Toda vez que um amigo vem de fora, visitar Santa Maria, desço com ele a Avenida Rio Branco e vamos até a estação ferroviária. É ali que se encontra a matriz do desenvolvimento urbano santa-mariense, explico. Se ele tiver gosto por divagações históricas, comento que é possível contar a história da cidade a partir de três núcleos: o ferroviário, o militar e o estudantil.

No início do século 20, os escritórios da Compagnie de Chemins de Fer, empresa que administrava as estradas de ferro no Estado, estavam localizados em Santa Maria, e isso bem indica a sua posição estratégica. Cidade com posição privilegiada no que diz respeito à malha ferroviária e também quanto à defesa militar das fronteiras. Na época, o pensamento militar brasileiro colocava a Argentina como país mais contado para uma ação bélica, e era preciso estar preparado.

Dessa maneira, os polos ferroviário e militar foram centrais no crescimento de Santa Maria. Outras atividades urbanas se desenvolveram e, logo, despontou a área educacional: pequenas escolas e, na sequência, a criação de dois colégios católicos, um metodista, assim como de duas escolas de artes & ofícios (estas últimas por iniciativa da Cooperativa dos Ferroviários). As escolas públicas, por sua vez, só se expandiram nas décadas de 1940 e 50.  

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A partir dos anos 60, justamente quando a ferrovia estava estagnada e anunciava-se o seu declínio, surgiu a Universidade Federal, acentuando o polo estudantil como uma das marcas da cidade. O polo militar, por sua vez, nunca esmoreceu (o que não significa dizer que os militares ainda continuassem elucubrando um confronto armado com a Argentina, longe disso).

Uma visão sintética de Santa Maria que serve para animar uma conversa. Caminho com meu amigo pela antiga plataforma de embarque da estação e indico as péssimas condições de telhado, assim como um conjunto de locomotiva e vagões estacionados (espécie de homenagem aos áureos tempos da ferrovia), que se encontram em estado avançado de deterioração. Mesmo assim, o lugar permanece limpo e agradável. O fato de a Secretaria de Cultura Municipal localizar-se no segundo andar do prédio é seguramente o que detém a ruína do local.

A estação ferroviária ainda não se transformou no local de memória que merece, mas não é esquecida pelos santa-marienses. É local de passeio e visita. Nem que seja para assistir (como tantas vezes levo meus visitantes a fazer) à passagem dos comboios de cargas da América Latina Logística. Melancólico comboio, infelizmente, sem a alegria de passageiros dentro dos vagões.

 
 

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