Cronistas do Diário: Escola sem partido, por Vitor Biasoli - Cultura e Lazer - Diário

Versão mobile

Opinião25/08/2016 | 07h04Atualizada em 25/08/2016 | 07h05

Cronistas do Diário: Escola sem partido, por Vitor Biasoli

Cronistas do Diário: Escola sem partido, por Vitor Biasoli Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução
Vitor Biasoli

vbiasoli@gmail.com

John Ford na certa não endossaria o ¿Escola sem partido¿, projeto que visa estabelecer medidas para que o professor não se aproveite ¿da audiência cativa dos alunos¿ para promover suas convicções. Ou, se apoiasse, iria fazer com algumas restrições.

Pensei isso ao rever um dos seus melhores faroestes, O Homem que Matou o Facínora (1962). Nesse filme, o herói da história – Ranson Stoddard (James Stewart) – é um advogado recém-formado que acredita na lei. O jovem advogado chega a uma cidade do Velho Oeste e bate de frente com o bandoleiro Liberty Valence (Lee Marvin), o facínora do título do filme. O bandoleiro é o braço armado dos grandes fazendeiros que dominam a região, e o advogado procura uma maneira legal e pacífica para enfrentá-los. Ele se torna professor e não titubeia defender as suas convicções em sala de aula: esclarece os alunos quanto à situação de opressão em que vivem e procura torná-los protagonistas da sua história.

Leia mais textos dos cronistas do Diário

Não vou contar o final do filme, mas adianto: o jovem advogado vence o facínora, mas não no campo da lei e da ordem. Também enfrenta os grandes fazendeiros, mas, nesse caso, entra na seara da política partidária. Torna-se senador, inclusive.

No caso do filme, a atividade de professor do personagem é só um detalhe. O espaço privilegiado para o confronto (seja com o facínora, seja com os grandes fazendeiros) é outro, e a escola se reduz a um dos fronts de luta, um front em que os projetos de sociedade podem ser discutidos.

O projeto ¿Escola sem partido¿ é um instrumento de luta política que visa redimensionar o ensino em sala de aula e, seguramente, impedir que professores (como o do filme de John Ford) embaralhem o meio de campo, isto é, questionem a ordem política estabelecida. É uma velha questão relativa ao mundo escolar: para que serve a educação? Para conformar os jovens às estruturas de poder da pólis ou prepará-los para que a utilizem de forma dinâmica, transformando-as, se assim acharem necessário?

Revendo John Ford, fiquei contente ao saber que já existiram conservadores (como era o caso desse grande cineasta) que viam com simpatia a liberdade de expressão em sala de aula. Conservadores tolerantes em relação aos professores que expõem com entusiasmo suas convicções e – questão sempre polêmica – até chegam a assumir uma postura político-ideológica diante dos alunos.

 

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga Diário SM no Twitter

  • diariosm

    diariosm

    DiárioSMCandidatos à prefeitura de Santa Maria percorrem ruas do Centro em cadeiras de rodas https://t.co/LVLSIiEI6H https://t.co/b6oA7rxa4ihá 9 horas Retweet
  • diariosm

    diariosm

    DiárioSM25ª Romaria da Pessoa Idosa ocorre neste domingo em santa Maria https://t.co/HkwZbLRRK0 https://t.co/6NeTkFv9S8há 11 horas Retweet

Veja também

Diário de Santa Maria
Busca
clicRBS
Nova busca - outros