Cronistas do Diário: Caracaraí é aqui, por Hugo Fontana - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião22/08/2016 | 07h23Atualizada em 22/08/2016 | 07h23

Cronistas do Diário: Caracaraí é aqui, por Hugo Fontana

Cronistas do Diário: Caracaraí é aqui, por Hugo Fontana Divulgação/Agência RBS
Foto: Divulgação / Agência RBS
Hugo Antonio Fontana

hugofontanap@yahoo.com.br

Caracaraí é um pequeno município de 19 mil habitantes do estado de Roraima. Leio no Atlas da Violência de 2016 que esse lugar perdido no mapa do Brasil é o nosso mais violento pedaço de chão. Produziu, apenas em um ano, a cifra inacreditável de 40 homicídios (próxima aquela que Santa Maria, até agora, desde o início do ano, possui). O tal Atlas também me informa que, a cada dia, são assassinadas 164 pessoas, quase sete por hora, em nosso país. A grande maioria é jovens negros ou pardos, residentes nas periferias, ou seja, compõe aquilo que se convencionou chamar de "população invisível".

Até há pouco tempo, nós, com nosso ranço do Sul, citávamos o Nordeste não apenas como lugar de político corrupto, mas também como terra violenta. Basta lembrar das estatísticas de Maceió e Fortaleza, por exemplo. A primeira, com 63 homicídios por 100 mil habitantes; a segunda, com 60 assassinatos anuais por 100 mil habitantes. Corrupção e crime, no entanto, tornaram-se democráticos. Não escolhem nem lugar, nem classe social. Parece que só percebemos os seus tamanhos quando chegam perto de nós. De forma particular, o crime.

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Aqui, na Província de São Pedro, estamos muito iguais aos lugares mais violentos do Brasil. Aqui, também está morrendo assassinada a "população visível". Quem não conhece algum caso de parente, amigo, vizinho ou conhecido que morreu nessas condições? Nessa "democratização" macabra, morrem médica, professor, indigente, executivo, desempregado, freira ou prostituta. Chocados, todos estamos com os assassinatos que vão muito além do juridiquês dos "motivos fúteis" que lhes dão guarida nos processos policiais.

Entre as 50 cidades mais violentas do mundo, com população acima de 300 mil habitantes, 21 estão no Brasil. Quantas estarão no Rio Grande do Sul? Que lugar ocupa Porto Alegre? Nosso governo homeopata (salários em gotas) sabe? Até quando se limitará a dizer que a violência diminuiu porque diminuiu o número de desmanches de carros?

Em Caracaraí, como aqui, a violência não será mais notícia relevante quando a cidadania substituir a estatística.  

 
 

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