Cronistas do Diário: A história que sabemos, por Hugo Fontana - Cultura e Lazer - Diário

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Opinião08/08/2016 | 07h14Atualizada em 08/08/2016 | 07h14

Cronistas do Diário: A história que sabemos, por Hugo Fontana

Cronistas do Diário: A história que sabemos, por Hugo Fontana Divulgação/Agência RBS
Foto: Divulgação / Agência RBS
Hugo Antonio Fontana

hugofontanap@yahoo.com.br

Quando estudei história no antigo curso ginasial – acessível apenas àqueles que fossem aprovados no concurso de admissão ao ginásio – achava essa disciplina detestável sob todos os aspectos. O livro texto usado, um grosso volume de um tal Borges Hermida, relatava uma história cronológica, feita por heróis, reis, rainhas e até acasos bafejados pela Providência.

Cabral descobria o Brasil. Os bandeirantes eram valentes desbravadores. Os holandeses eram bandidos invasores. O centro do mundo era europeu. O livro, mais tarde, me pareceu uma espécie de preparação para disciplinas doutrinárias que viriam, tais como Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira. Foi preciso um professor lúcido e muita leitura, já então no curso científico, para que começasse a entender a importância do conhecimento histórico e de suas fontes.

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Ultrapassando-se os muitos autores críticos ideológicos e fixando-se naqueles (poucos) que conseguem fazer uma boa pesquisa historiográfica, podemos constatar nossas lacunas no entendimento da história que os homens fizeram e fazem. Via de regra, os vários discursos sobre a história universal são carregados de uma escrita ocidental colonialista que faz toda uma justificativa do domínio europeu como se ele fosse um fato histórico inevitável. Logo, os grandes pensadores da humanidade habitavam não mais do que seis ou sete países europeus.

Hoje, sabemos que a corrente mais rica e inovadora da historiografia medieval, por exemplo, não nasceu da herança clássica, mas se desenvolveu nos países muçulmanos, sem qualquer influência "inicial e muito pouca, posteriormente, dos modelos greco-romanos". Al Masudi é um dos grandes nomes da historiografia muçulmana. Xiita, nascido em Bagdá no ano de 896, foi o primeiro historiador muçulmano árabe a aplicar o método científico e o raciocínio filosófico no estudo da história. Pela amplitude dos interesses científicos e pelo fato de combinar geografia, etnologia e história, chegou a ser comparado a Heródoto.

Enquanto isso, alguns comentaristas da mídia ocidental (historiadores high tec?) teimam em continuar nos apresentando a região de Al Masudi como o lugar onde vivem as piores criaturas sobre a terra.

 
 

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