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Cultura02/08/2016 | 07h05Atualizada em 02/08/2016 | 11h52

Aos 50 anos, saxofonista de São Paulo empresta seu talento a bandas da cidade

Luís Silva é integrante da banda da Base Aérea, estuda Música da UFSM e toca com os grupos DA.SE.RO.MA, Louis&Anas, Gamboa Trio e Miscigena

Aos 50 anos, saxofonista de São Paulo empresta seu talento a bandas da cidade Germano Rorato/Agencia RBS
Foto: Germano Rorato / Agencia RBS

Assim como o sobrenome que carrega, Luis Silva é um ser praticamente onipresente para quem acompanha a efervescência musical santa-mariense. Aos 50 anos, o músico radicado em Santa Maria é visto circulando com frequência pelos palcos do Coração do Rio Grande. E com suas melodias, mostra que a herança da família vai muito além da mais popular das alcunhas tupiniquins.

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Nascido em Jacareí, município da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, em São Paulo, Luis descobriu sua paixão pela música ainda pequeno. O avô foi um dos fundadores da banda marcial da cidade, mesmo grupo em que seu pai teve destaque como instrumentista. Mas foi da mãe, lembrada por Luís como alguém que já amanhecia cantarolando, o empurrão que determinaria seu futuro. O músico conta que ainda era criança quando a mãe vendeu um Fusca zero quilômetro, que havia ganhado em uma rifa. O dinheiro, ela usou para comprar um piano. Ele passou, então, a estudar o instrumento com uma irmã. 

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– Nós éramos em nove filhos, e minha mãe colocou todo mundo para aprender – revela Luis, que chegou a frequentar um conservatório em São José dos Campos. 

O receio do pai, no entanto, acabou por adiar seu contato com os instrumentos que o acompanhariam pelo resto da vida. 

– Eu era pequeno, e meu pai tinha muito medo de eu forçar o pulmão. Então, me incentivou a começar na percussão. Só depois passei para o clarinete e, mais tarde, para o saxofone – conta Luiz.

Militar da Força Aérea Brasileira, Luis foi transferido de Salvador para Santa Maria em 2006. À época, estudava regência na capital baiana e precisou transferir o curso para a UFSM, onde passou a se dedicar mais profundamente aos segredos do clarinete. Mas essa não foi a única mudança de direção na trajetória musical do paulista. Sem conhecer quase ninguém por estas bandas, começou a dar as caras em bares da cidade. 

– Fui meio cara de pau. Eu chegava num bar já com o instrumento e pedia para dar uma canja. O pessoal ficava meio desconfiado. Mas não conhecia ninguém, então, tive de me aventurar – lembra Luis. 

Os saraus no tradicional restaurante da dona Romilda, em Vale Vêneto, durante os Festivais Internacionais de Inverno, também o ajudaram a fazer novos amigos. E não demorou para surgirem os primeiros convites. Além de formar um grupo de choro e um quinteto de jazz, Luís começou a emprestar seu talento a diferentes bandas da cidade.

Por questões de horário, reduziu o ritmo. Hoje, Luis divide seu tempo entre o cotidiano de ensaios com a banda da Base Aérea de Santa Maria, as cadeiras que restam para que pegue o batalhado canudo no curso de Música da UFSM, dois alunos, e os grupos DA.SE.RO.MA, Louis&Anas, Gamboa Trio e Miscigena.

– Também tem que ter um tempinho para viver, né? – brinca Luís.

Mesmo com o respeito naturalmente agregado ao fato de se tratar de um instrumentista com formação teórica, além do status de músico requisitado, Luís não faz distinção de determinado gênero em detrimento de outro, tampouco faz pouco caso de quem recém dá os primeiros passos no belo e difícil universo dos acordes, notas e campos harmônicos. Pelo contrário. Além de ser um entusiasta da música como ferramenta de transformação, Luís se vê desafiado pela oportunidade de deixar sua marca também como compositor juntos ao colegas de banda. 

Fazer de seu estilo uma assinatura, aliás, soa como algo natural para quem tem como referências o saxofonista norte-americano John Coltrane, além dos clarinetistas Gabriele Mirabassi, Alexandre Ribeiro e Paulo Sérgio Santos.

Com o respaldo de quem representa a terceira geração de músicos da família, Luís apela para que pais apoiem e incentivem os filhos que desejam aprender um instrumento. E para quem se assusta ao enxergar partituras como quebra-cabeças indecifráveis, o saxofonista dá a dica: trata-se apenas uma linguagem diferente. 

– A música torna o ser humano melhor, pois exige dedicação e disciplina. É algo que você precisa exercitar. Não adianta ficar 10 dias sem tocar e no décimo primeiro achar que vai ser igual, porque não tem como – avalia.

Mesmo após quase quatro décadas dedicadas ao aprendizado de uma das mais belas formas de expressão artística, o instrumentista repete, diariamente, exercícios como escalas, acordes e arpejos que estudava lá no começo da carreira. E, ainda assim, com a humildade de quem se mantém distante dos corriqueiros rompantes de estrelismo, naturais para músicos de seu calibre, afirma: volta e meia, ainda "acerta a trave".

 

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