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Cronistas do Diário20/04/2016 | 06h04

Ratos

Ratos Reprodução/Reprodução
Foto: Reprodução / Reprodução

Diz o provérbio popular que quando o navio está afundando são os ratos que começar a abandonar a embarcação. O que nunca se soube é que os próprios ratos tenham ajudado a afundar o navio. Muito menos que estes abandonassem o navio somente depois que vissem a possibilidade de embarcar em um novo meio de sobrevivência. Também nunca se soube de donos de navio ou marinheiros que convidassem os ratos para embarcar na viagem, como se estivessem precisando deles para seguir viagem. Afinal, diriam os articulares dessa empreitada, que um verdadeiro navio nunca teria condições de se afirmar se não levasse a bordo tais criaturas.

Além disso, argumentaram os idealizadores do convite que os ratos permaneceriam no seu lugar, pois o comando do navio não estava entregue a eles. Os passageiros saberiam que haveria ratos no navio, mas eles estariam na condição de toleráveis, somente de vez em quando aparecendo em lugares inadequados para fazer uma boquinha. Haveria, com os ratos, mesmo sabendo da sua capacidade de manifestar e transmitir raiva, uma espécie de coexistência pacífica e, vez por outra, algum tipo de negociação para que todos seguissem o seu caminho.

Um dia, os tripulantes do navio entraram em rota de colisão com um dos ratos mais influentes da sua comunidade, acusado de mandar e desmandar no seu meio e de possuir uma pequena reserva de grãos no exterior, talvez em outros navios. Assim, quando a coisa ficasse feia por aqui, teria como se virar. Esse rato, aproveitando-se da insatisfação de certos passageiros, acolheu um pedido de impedimento da viagem, passando a tramar contra aqueles que o haviam acolhido, promovendo uma verdadeira baderna no navio.

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O resultado não poderia seria pior. A tripulação foi perdendo respeito, os passageiros se tornaram intolerantes (apesar de haver manifestações a favor), e os ratos tomaram conta do navio. Quando tudo parecia perdido, surge uma nova embarcação, da qual os ratos nada pareciam temer, e lá se foram eles, felizes e contentes, a negociar novas condições com os tripulantes, muitos deles velhos conhecidos.

A tripulação do velho barco está sem saber o que fazer. Não sabe se poderá ir ao seu destino sem os ratos. E também não sabe se pode confiar em novos ratos após essa experiência. Certos e felizes estão os ratos, que sempre foram coerentes com sua proposta.

DIÁRIO DE SANTA MARIA

 

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